GNDA Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Evolução Clínica

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 10 anos, é atendido na unidade básica de saúde com queixa de urina avermelhada há dois dias; nega febre, disúria ou queixas abdominais. Refere ter apresentado episódio de faringoamigdalite há aproximadamente 2 semanas, tratado ambulatorialmente. Ao exame físico, apresenta edema palpebral discreto (1+/4+) e pressão arterial de 130x85 mmHg, compatível com valores acima do percentil 95 para idade. Foram solicitados exames complementares, e o paciente permanece em acompanhamento na unidade. Com base na hipótese diagnóstica mais provável, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A presença de hipocomplementemia (C3 e CH50 reduzidos) é achado patognomônico dessa glomerulopatia.
  2. B) A biópsia renal revela, classicamente, depósitos de IgA no mesângio.
  3. C) A hematúria observada nesses casos é predominantemente formada por hemácias isomórficas.
  4. D) A hematúria microscópica persistente pode durar até 18 meses, sem representar critério de mau prognóstico.

Pérola Clínica

GNDA → Período latente + Hematúria + Edema + HTN + ↓C3 (normaliza em 8 semanas).

Resumo-Chave

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é a principal causa de síndrome nefrítica na infância, caracterizada por queda transitória do complemento C3 e bom prognóstico a longo prazo.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é uma doença imunomediada que surge após infecções de orofaringe ou pele pelo Streptococcus pyogenes. O quadro clínico clássico é a síndrome nefrítica: hematúria, edema, hipertensão arterial e oligúria. O diagnóstico baseia-se na história clínica de infecção prévia (respeitando o período de latência de 1-3 semanas para faringite e 2-6 semanas para piodermite), evidência de infecção estreptocócica (ASLO ou anti-DNAse B) e queda do complemento C3. O manejo é predominantemente de suporte, focando no controle da volemia e da pressão arterial. A biópsia renal raramente é necessária, sendo indicada apenas em casos atípicos, como insuficiência renal progressiva, complemento persistentemente baixo após 8 semanas ou proteinúria nefrótica. A evolução na infância é excelente na vasta maioria dos casos, com recuperação completa da função renal.

Perguntas Frequentes

Qual a principal alteração laboratorial na GNDA?

A alteração mais característica é a queda do complemento C3 e do CH50 (hipocomplementemia), que ocorre em mais de 90% dos casos. É fundamental notar que esses níveis devem retornar ao normal em até 8 semanas; caso contrário, outras etiologias como lúpus ou glomerulonefrite membranoproliferativa devem ser investigadas.

Como diferenciar a hematúria da GNDA de outras causas?

A hematúria na GNDA é de origem glomerular, apresentando-se tipicamente com dismorfismo eritrocitário (hemácias acantócitas) e presença de cilindros hemáticos no sedimento urinário, o que a diferencia de sangramentos do trato urinário inferior.

Quanto tempo dura a hematúria microscópica na GNDA?

Enquanto a hematúria macroscópica, o edema e a hipertensão costumam ceder em 1 a 4 semanas, a hematúria microscópica pode persistir por um período prolongado, frequentemente até 18 a 24 meses, não sendo considerada um sinal de mau prognóstico isoladamente.

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