INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Um pai vai à consulta na Unidade Básica Saúde (UBS) queixando-se de que, há uma semana, seu filho de 4 anos de idade iniciou quadro súbito de edema periorbitário bilateral e matutino. Refere ter procurado outra unidade de saúde duas semanas antes, quando foi feito o diagnóstico de faringoamigdalite e prescrita penicilina G benzatina. O pai relata que, nos últimos três dias, houve aumento do edema periorbitário e início de quadro de distensão abdominal, associado a dois episódios de vômitos, além de oligúria com escurecimento da urina. O pediatra aferiu e encontrou PA = 110 x 80 mmHg. No caso clínico descrito, o dado laboratorial que, isoladamente, é considerado o mais fidedigno para confirmar o diagnóstico é:
Síndrome nefrítica pós-faringite + C3 baixo = Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica.
A queda do complemento C3 é o achado laboratorial mais fidedigno para confirmar a hipótese de GNPE em um quadro clínico de síndrome nefrítica aguda.
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é o protótipo da síndrome nefrítica na infância. Ocorre após um período de latência de 1 a 3 semanas após faringite ou 2 a 6 semanas após piodermite. O quadro clínico clássico envolve início súbito de hematúria (frequentemente macroscópica, cor de 'chá' ou 'cola'), edema periorbitário, hipertensão arterial e oligúria. Laboratorialmente, o exame de urina mostra hematúria glomerular (com dismorfismo eritrocitário ou cilindros hemáticos). No entanto, para a confirmação diagnóstica em provas de residência e na prática clínica, a demonstração da hipocomplementenemia (C3 baixo com C4 normal) é o dado mais específico. O tratamento é eminentemente de suporte, focando na restrição hídrica e dietética e no controle da hipertensão arterial.
Na Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE), ocorre a ativação da via alternativa do complemento devido à deposição de imunocomplexos no glomérulo. Isso resulta em uma queda acentuada dos níveis séricos de C3 em mais de 90% dos pacientes durante a fase aguda. A normalização do C3 ocorre tipicamente em até 8 semanas; se permanecer baixo após esse período, deve-se investigar outras patologias, como a Glomerulonefrite Membranoproliferativa ou Lúpus.
Não isoladamente. A titulação elevada de anti-estreptolisina O (ASO) apenas comprova que houve uma infecção recente pelo Estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Como muitas crianças têm infecções de garganta sem desenvolver sequelas renais, a ASO alta não confirma que o edema ou a hematúria sejam causados por uma glomerulonefrite. O diagnóstico clínico-laboratorial depende da tríade nefrítica associada à queda do complemento.
O caso descreve uma síndrome nefrítica (hematúria, oligúria, edema e hipertensão). A proteinúria na GNPE costuma ser subnefrótica (abaixo de 50 mg/kg/dia). Se a proteinúria de 24h estivesse acima desse valor (faixa nefrótica), o diagnóstico principal mudaria para Síndrome Nefrótica, onde o edema é mais generalizado (anasarca) e a fisiopatologia envolve perda maciça de albumina, geralmente com complemento normal.
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