Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Escolar, sexo masculino, com 7 anos de idade é levada à consulta com queixa de inchaço na face, principalmente ao redor dos olhos, e urina de coloração escura, há 3 dias. A mãe relata que, há aproximadamente 2 semanas, a criança teve leve dor de garganta e febre, sem tosse e coriza, e que melhoraram espontaneamente. Ao exame físico, a pressão arterial é de 130 x 85 mmHg e há edema periorbital e de membros inferiores. Não há outras alterações no exame físico. Dentre as alternativas a seguir, assinale aquela cuja conduta nela apresentada é a mais apropriada para o manejo inicial desse paciente:
Hematúria + Edema + HAS + C3 ↓ após faringite/piodermite = GNDA.
A GNDA pós-estreptocócica é a principal causa de síndrome nefrítica na infância, caracterizada por queda transitória do complemento C3 e manejo focado em controle volêmico.
A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é uma resposta imunomediada (hipersensibilidade tipo III) à infecção por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes. Ocorre tipicamente 1-3 semanas após faringite ou 2-6 semanas após piodermite. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos no glomérulo, levando à inflamação e redução da taxa de filtração glomerular. O manejo clínico prioriza o controle da sobrecarga volêmica, que causa a hipertensão e o edema. A restrição de sódio e líquidos, associada ao uso de diuréticos de alça (Furosemida), é a primeira linha. Complicações graves como encefalopatia hipertensiva e edema agudo de pulmão devem ser monitoradas rigorosamente durante a fase aguda.
Na Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica, há um consumo clássico da via alternativa do complemento, resultando em níveis baixos de C3, enquanto o C4 costuma ser normal. Uma característica definidora é que os níveis de C3 devem retornar ao normal em até 8 semanas. Se a hipocomplementenemia persistir além desse período, deve-se suspeitar de outras patologias, como glomerulonefrite membranoproliferativa ou nefrite lúpica, indicando a necessidade de biópsia renal.
A antibioticoterapia (geralmente Penicilina Benzatina) na GNDA não altera a evolução da doença renal nem previne a sua ocorrência após a infecção estreptocócica. Seu objetivo principal é epidemiológico: erradicar a cepa nefritogênica do Estreptococo do grupo A da orofaringe ou da pele do paciente, impedindo a transmissão para contatos próximos. O tratamento da GNDA em si é focado no manejo da hipertensão e do edema através de restrição hídrica e diuréticos.
A biópsia renal não é realizada rotineiramente na GNDA típica. Ela está indicada apenas em casos atípicos: insuficiência renal progressiva (rápida progressão), evidência de doença sistêmica, proteinúria nefrótica persistente, ausência de evidência de infecção estreptocócica prévia, ou se o complemento (C3) permanecer baixo por mais de 8 semanas. Na apresentação clássica em escolares com história de infecção prévia e melhora clínica gradual, o diagnóstico é clínico-laboratorial.
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