Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE): Diagnóstico e C3

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Caso clínico 1A4-IIIUma paciente de 22 anos de idade, previamente hígida, compareceu ao pronto atendimento com queixas de fadiga importante, anorexia e urina escura havia três dias. Ela relatou quadro de infecção das vias aéreas superiores havia duas semanas. Negou tabagismo, etilismo e antecedentes familiares de patologias significativas. Ao exame físico, apresentou: pressão arterial de 178 mmHg × 106 mmHg, frequência cardíaca de 94 bpm e edema de membros inferiores, sem outros achados relevantes. O exame de urina tipo 1 (EAS) revelou pH = 7,1; proteínas++; 120.000 hemácias com dismorfismo; cilindros granulosos e hemáticos ++. A proteinúria de 24 horas foi de 1 g/dia e a creatinina sérica de 1,7mg/dL. Os demais exames laboratoriais de rotina não apresentaram alterações significativas.Assinale a opção que apresenta o achado laboratorial mais esperado no caso clínico 1A4-III.

Alternativas

  1. A) presença de anticorpos antimembrana basal
  2. B) níveis elevados de imunoglobulina A (IgA)
  3. C) hipocomplementemia com redução do componente C3
  4. D) detecção de ANCA (Anticorpos anti-citoplasma de neutrófilos)

Pérola Clínica

Hematúria dismórfica + Hipertensão + Edema pós-faringite → GNPE (C3 baixo).

Resumo-Chave

A GNPE é a causa clássica de síndrome nefrítica pós-infecciosa. O diagnóstico é sugerido pela tríade clínica associada ao consumo temporário do complemento (C3 reduzido) após período de latência de 1-3 semanas.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma resposta imunomediada a antígenos estreptocócicos que se depositam no glomérulo, formando os característicos 'humps' (corcovas) na microscopia eletrônica. Clinicamente, manifesta-se como uma síndrome nefrítica clássica: hematúria, hipertensão arterial, edema e, em casos mais graves, oligúria e insuficiência renal aguda. O manejo é predominantemente de suporte, focando no controle da volemia e da pressão arterial com restrição hídrica, dieta hipossódica e diuréticos de alça (furosemida). O prognóstico na infância é excelente, com a maioria dos pacientes recuperando a função renal completamente, embora a hematúria microscópica possa persistir por meses.

Perguntas Frequentes

Qual o perfil do complemento na GNPE?

Na GNPE, ocorre ativação da via alternativa do complemento pela deposição de imunocomplexos. Isso resulta em uma queda acentuada dos níveis de C3 e CH50, enquanto o C4 geralmente permanece normal ou discretamente reduzido. Uma característica fundamental para o diagnóstico é que esses níveis devem retornar ao normal em até 8 semanas; caso contrário, outras patologias como glomerulonefrite membranoproliferativa ou lúpus devem ser investigadas.

O que define a hematúria como de origem glomerular?

A origem glomerular da hematúria é confirmada pela presença de dismorfismo eritrocitário (como os acantócitos) e pela presença de cilindros hemáticos no sedimento urinário. Esses achados indicam que as hemácias sofreram dano mecânico e químico ao atravessar a barreira de filtração glomerular e os túbulos renais, diferenciando-a de sangramentos do trato urinário inferior (urológicos).

Qual o período de latência esperado na GNPE?

O período de latência é o intervalo entre a infecção estreptocócica e o início dos sintomas renais. Para faringites por Streptococcus pyogenes (Geralmente cepas nefritogênicas), o intervalo é de 1 a 3 semanas. Para infecções de pele (piodermites), o intervalo é maior, variando de 2 a 6 semanas. A ausência de latência sugere Nefropatia por IgA.

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