FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023
Fernando, 7 anos, vem ao pronto-socorro de pediatria com queixa de edema, oligúria, urina de cor escura, amaurose e hipertensão arterial. Relata infecção em pele com pústulas há 10 dias. No caso desse paciente, qual a principal hipótese diagnóstica e conduta mais adequada para o caso?
Criança com edema, oligúria, urina escura e hipertensão pós-infecção cutânea = GNPE. Amaurose → encefalopatia hipertensiva, requer internação e anti-hipertensivo venoso.
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma complicação comum de infecções estreptocócicas (faringite ou piodermite) em crianças, manifestando-se com edema, oligúria, hematúria (urina escura) e hipertensão. A amaurose, neste contexto, indica encefalopatia hipertensiva, uma emergência que exige internação e controle rigoroso da pressão arterial com medicação venosa e diuréticos.
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma das glomerulonefrites mais comuns na infância, resultante de uma resposta imune anormal a infecções prévias por Streptococcus pyogenes. É crucial para o residente reconhecer o quadro clínico clássico, que inclui edema, oligúria, hematúria (urina escura) e hipertensão, geralmente 1 a 3 semanas após uma faringite ou piodermite. A epidemiologia mostra maior incidência em crianças em idade escolar, mas pode ocorrer em qualquer idade. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos, ativando o sistema complemento e causando inflamação. O diagnóstico é clínico, laboratorial (sumário de urina com hematúria e proteinúria, elevação de ureia e creatinina, queda do C3 sérico) e sorológico (ASLO ou anti-DNAse B elevados). A presença de amaurose, convulsões ou alteração do nível de consciência em um paciente com GNPE indica encefalopatia hipertensiva, uma complicação grave que exige manejo imediato. O tratamento da GNPE é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão e a sobrecarga volêmica. Isso inclui restrição hídrica e de sódio, diuréticos de alça e anti-hipertensivos. Em casos de encefalopatia hipertensiva, o controle da pressão arterial deve ser rápido e eficaz, muitas vezes com medicamentos intravenosos. A antibioticoterapia para erradicar o estreptococo, se ainda presente, é importante para prevenir a disseminação, mas não altera o curso da glomerulonefrite já estabelecida. A maioria das crianças tem recuperação completa, mas o acompanhamento é necessário para monitorar a função renal e a normalização do C3.
Os sinais e sintomas clássicos da GNPE incluem edema (especialmente periorbital e de membros inferiores), oligúria, urina escura (hematúria macroscópica), hipertensão arterial e, em alguns casos, cefaleia ou mal-estar. Geralmente, há história de infecção estreptocócica prévia (faringite ou piodermite) 7 a 21 dias antes.
A conduta inicial para uma criança com GNPE e encefalopatia hipertensiva é a internação hospitalar imediata, controle rigoroso da pressão arterial com anti-hipertensivos venosos (como nitroprussiato ou labetalol) e diuréticos de alça (como furosemida) para reduzir a sobrecarga volêmica. Exames como sumário de urina, função renal e C3 devem ser solicitados para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade.
A amaurose (perda temporária da visão) na GNPE é um sinal de alerta grave, indicando encefalopatia hipertensiva. Isso ocorre devido à hipertensão arterial descontrolada que leva a edema cerebral e disfunção neurológica, exigindo intervenção médica urgente para prevenir sequelas permanentes.
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