GNDA Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Perfil do Complemento

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um menino de 8 anos é levado ao pronto atendimento devido ao aparecimento de urina de coloração escura, semelhante a chá, e inchaço nos olhos ao acordar há 4 dias. A mãe relata que, há cerca de 20 dias, a criança apresentou diversas lesões crostosas em membros inferiores, tratadas apenas com pomada tópica e limpeza local. Ao exame físico, o paciente encontra-se em bom estado geral, eupneico e corado. A pressão arterial aferida é de 135/90 mmHg (valor acima do percentil 95 para idade, sexo e estatura). Observa-se edema periorbitário bilateral discreto e edema de membros inferiores com cacifo positivo (++/4+). A ausculta cardíaca e respiratória não apresenta alterações. Os exames iniciais revelam: Sumário de urina com hematúria macroscópica, presença de cilindros hemáticos e proteinúria leve (1+). A creatinina é de 0,9 mg/dL (valor de referência: 0,5 a 0,8 mg/dL) e a ureia é de 55 mg/dL (valor de referência: 15 a 40 mg/dL). O diagnóstico mais provável e a principal alteração laboratorial esperada para este quadro são:

Alternativas

  1. A) Glomerulonefrite lúpica; consumo persistente de C3 e C4 associado a anticorpo antinuclear (FAN) reagente.
  2. B) Glomerulonefrite difusa aguda pós-estreptocócica; redução dos níveis séricos de C3 e normalidade de C4.
  3. C) Nefropatia por Imunoglobulina A (Doença de Berger); níveis de complemento sérico normais e hematúria recorrente.
  4. D) Doença de lesões mínimas; proteinúria de nível nefrótico e hipoalbuminemia acentuada.

Pérola Clínica

GNDA pós-estreptocócica = Período de latência + Síndrome Nefrítica + ↓C3 com C4 normal.

Resumo-Chave

A GNDA é uma doença por imunocomplexos que ocorre após infecção estreptocócica; o diagnóstico é sugerido pela tríade de edema, hipertensão e hematúria com queda isolada de C3.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é o protótipo da síndrome nefrítica na infância. Causada por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes, a patogênese envolve a deposição de imunocomplexos no glomérulo, ativando a via alternativa do complemento, o que explica a queda de C3 e a normalidade de C4. Clinicamente, o paciente apresenta o início súbito de edema (frequentemente periorbitário), hipertensão arterial e hematúria (urina cor de chá ou Coca-Cola). O tratamento é eminentemente de suporte, focando na restrição hídrica e dietética, além do controle da hipertensão com diuréticos de alça. O prognóstico na infância é excelente na vasta maioria dos casos.

Perguntas Frequentes

Qual o período de latência típico da GNDA pós-estreptocócica?

O período de latência varia conforme o sítio da infecção inicial: geralmente de 1 a 3 semanas após uma faringoamigdalite e de 2 a 6 semanas (média de 21 dias) após uma infecção cutânea (piodermite/impetigo).

Como diferenciar laboratorialmente a GNDA da Nefropatia por IgA?

Na GNDA, há consumo evidente do complemento C3 com C4 normal, e a hematúria ocorre semanas após a infecção. Na Nefropatia por IgA, o complemento é normal e a hematúria é contemporânea à infecção (sinfaringítica).

Quando é necessário realizar biópsia renal na suspeita de GNDA?

A biópsia é indicada se houver: complemento baixo por mais de 8 semanas, proteinúria em nível nefrótico persistente, evidência de doença sistêmica, ou insuficiência renal rapidamente progressiva.

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