ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um escolar de 7 anos apresenta, há 3 dias, cefaleia edema de membros inferiores, sem sinais flogísticos, e urina escura. Ao exame, foram constatadas hipertensão arterial e hematúria no exame de urina. Está em uso de polivitamínicos e dipirona. A principal hipótese diagnóstica, nesse caso, é de:
Hematúria + Hipertensão + Edema + Infecção prévia → GNDA (Pós-estreptocócica).
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é a principal causa de síndrome nefrítica na infância, manifestando-se após um período de latência de uma infecção de orofaringe ou pele.
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é o protótipo da síndrome nefrítica aguda na infância. É causada pela deposição de imunocomplexos nos glomérulos após infecção por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes (Grupo A). A fisiopatologia envolve a ativação da via alternativa do complemento, levando a uma inflamação glomerular que reduz a taxa de filtração glomerular, resultando em retenção de sódio e água. O prognóstico na infância é excelente, com a grande maioria dos pacientes apresentando recuperação completa da função renal. No entanto, a fase aguda exige monitoramento rigoroso devido ao risco de complicações graves, como encefalopatia hipertensiva e edema agudo de pulmão. A normalização do complemento C3 em até 8 semanas é um marcador crucial para confirmar o diagnóstico e descartar outras glomerulopatias crônicas.
A GNPE apresenta-se classicamente como uma síndrome nefrítica: hematúria (frequentemente 'cor de chá' ou 'coca-cola'), edema (inicialmente periorbitário, progredindo para membros inferiores) e hipertensão arterial. O diagnóstico é reforçado pela história de infecção estreptocócica prévia (faringite há 1-3 semanas ou piodermite há 2-6 semanas). Laboratorialmente, observa-se queda transitória da fração C3 do complemento (que normaliza em até 8 semanas) e evidência de infecção estreptocócica recente (ASLO elevado após faringite ou anti-DNAse B após piodermite). A presença de cilindros hemáticos no sedimento urinário confirma a origem glomerular da hematúria.
O período de latência é o intervalo entre a infecção infecciosa inicial e o início dos sintomas renais. Para a faringite estreptocócica, o intervalo é geralmente de 7 a 21 dias (média de 10 dias). Para infecções de pele (impétigo/piodermite), o período é mais longo, variando de 15 a 40 dias (média de 21 dias). Se a hematúria ocorrer simultaneamente à infecção (período de latência < 4 dias), deve-se suspeitar de outras patologias, como a Nefropatia por IgA (Doença de Berger).
O tratamento da GNPE é predominantemente de suporte, focando no manejo das complicações da sobrecarga volêmica. Isso inclui restrição hídrica e dietética (hipossódica) e o uso de diuréticos de alça (furosemida) para controlar o edema e a hipertensão. Em casos de hipertensão grave, podem ser necessários anti-hipertensivos adicionais (como bloqueadores de canais de cálcio). A antibioticoterapia (geralmente penicilina benzatina) é indicada para erradicar o estreptococo da orofaringe ou pele e prevenir a disseminação da cepa nefritogênica na comunidade, embora não altere a evolução da glomerulonefrite já instalada.
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