Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Manejo

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Um escolar de 7 anos apresenta, há 3 dias, cefaleia edema de membros inferiores, sem sinais flogísticos, e urina escura. Ao exame, foram constatadas hipertensão arterial e hematúria no exame de urina. Está em uso de polivitamínicos e dipirona. A principal hipótese diagnóstica, nesse caso, é de:

Alternativas

  1. A) Reação alérgica medicamentosa.
  2. B) Síndrome nefrótica.
  3. C) Complicação de infecção estreptocócica.
  4. D) Intoxicação exógena.
  5. E) Hipertensão arterial primária com lesão renal.

Pérola Clínica

Hematúria + Hipertensão + Edema + Infecção prévia → GNDA (Pós-estreptocócica).

Resumo-Chave

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é a principal causa de síndrome nefrítica na infância, manifestando-se após um período de latência de uma infecção de orofaringe ou pele.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é o protótipo da síndrome nefrítica aguda na infância. É causada pela deposição de imunocomplexos nos glomérulos após infecção por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes (Grupo A). A fisiopatologia envolve a ativação da via alternativa do complemento, levando a uma inflamação glomerular que reduz a taxa de filtração glomerular, resultando em retenção de sódio e água. O prognóstico na infância é excelente, com a grande maioria dos pacientes apresentando recuperação completa da função renal. No entanto, a fase aguda exige monitoramento rigoroso devido ao risco de complicações graves, como encefalopatia hipertensiva e edema agudo de pulmão. A normalização do complemento C3 em até 8 semanas é um marcador crucial para confirmar o diagnóstico e descartar outras glomerulopatias crônicas.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar a GNPE de outras causas de hematúria?

A GNPE apresenta-se classicamente como uma síndrome nefrítica: hematúria (frequentemente 'cor de chá' ou 'coca-cola'), edema (inicialmente periorbitário, progredindo para membros inferiores) e hipertensão arterial. O diagnóstico é reforçado pela história de infecção estreptocócica prévia (faringite há 1-3 semanas ou piodermite há 2-6 semanas). Laboratorialmente, observa-se queda transitória da fração C3 do complemento (que normaliza em até 8 semanas) e evidência de infecção estreptocócica recente (ASLO elevado após faringite ou anti-DNAse B após piodermite). A presença de cilindros hemáticos no sedimento urinário confirma a origem glomerular da hematúria.

Qual o período de latência típico da GNPE?

O período de latência é o intervalo entre a infecção infecciosa inicial e o início dos sintomas renais. Para a faringite estreptocócica, o intervalo é geralmente de 7 a 21 dias (média de 10 dias). Para infecções de pele (impétigo/piodermite), o período é mais longo, variando de 15 a 40 dias (média de 21 dias). Se a hematúria ocorrer simultaneamente à infecção (período de latência < 4 dias), deve-se suspeitar de outras patologias, como a Nefropatia por IgA (Doença de Berger).

Qual o tratamento indicado para a GNPE?

O tratamento da GNPE é predominantemente de suporte, focando no manejo das complicações da sobrecarga volêmica. Isso inclui restrição hídrica e dietética (hipossódica) e o uso de diuréticos de alça (furosemida) para controlar o edema e a hipertensão. Em casos de hipertensão grave, podem ser necessários anti-hipertensivos adicionais (como bloqueadores de canais de cálcio). A antibioticoterapia (geralmente penicilina benzatina) é indicada para erradicar o estreptococo da orofaringe ou pele e prevenir a disseminação da cepa nefritogênica na comunidade, embora não altere a evolução da glomerulonefrite já instalada.

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