Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Achados

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 62 anos, previamente hígido, foi trazido para a emergência, com rebaixamento do nível de consciência. Familiares relatavam que ele vinha há uma semana com edema generalizado. Ao exame físico, ele apresentava níveis pressóricos muito elevados (PA 220 x 160 mmHg), edema de face e membros, sem sinais focais no exame neurológico. O único antecedente relevante era um episódio de erisipela cerca de 30 dias antes do início do quadro atual. Qual dos achados abaixo provavelmente NÃO seria encontrado nesse caso?

Alternativas

  1. A) Proteinúria = 4 g/ 24 horas
  2. B) Níveis séricos de C3 reduzidos
  3. C) Altos títulos de antiestreptolisina O
  4. D) Hemácias dismórficas no sumário de urina
  5. E) Cilindros hemáticos

Pérola Clínica

GNPE: Síndrome nefrítica pós-infecção estreptocócica (faringe/pele) → ASLO/anti-DNase B ↑, C3 ↓, hematúria dismórfica, cilindros hemáticos.

Resumo-Chave

A glomerulonefrite pós-estreptocócica (GNPE) é uma síndrome nefrítica caracterizada por hipertensão, edema, oligúria e hematúria, geralmente após infecção por Streptococcus pyogenes. A proteinúria é geralmente subnefrótica (<3,5 g/24h), sendo a proteinúria nefrótica (>3,5 g/24h) um achado incomum.

Contexto Educacional

A glomerulonefrite pós-estreptocócica (GNPE) é uma doença renal inflamatória que ocorre após uma infecção por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes, seja na orofaringe ou na pele (como erisipela ou impetigo). É uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica em crianças e adultos jovens. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos, ativando o sistema complemento e causando inflamação. Clinicamente, manifesta-se por edema, hipertensão, oligúria e hematúria. O diagnóstico é suportado por evidências de infecção estreptocócica recente (ASLO, anti-DNase B) e níveis baixos de C3. O tratamento é de suporte, visando controlar a hipertensão e o edema. A maioria dos pacientes tem bom prognóstico, com recuperação completa da função renal. No entanto, o reconhecimento dos achados típicos, como a proteinúria subnefrótica, é crucial para o diagnóstico diferencial e manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais na GNPE?

Na GNPE, é comum encontrar altos títulos de antiestreptolisina O (ASLO) ou anti-DNase B, níveis séricos de C3 reduzidos (com normalização em 6-8 semanas), hematúria dismórfica e cilindros hemáticos no sumário de urina.

Por que a proteinúria na GNPE não costuma ser nefrótica?

A GNPE é uma síndrome nefrítica, onde a inflamação glomerular causa lesão que resulta em hematúria e proteinúria, mas a lesão da barreira de filtração não é tão severa a ponto de causar proteinúria maciça (>3,5 g/24h), que é característica da síndrome nefrótica.

Qual a relação entre erisipela e GNPE?

A erisipela é uma infecção cutânea causada por Streptococcus pyogenes, que pode preceder o desenvolvimento da GNPE, assim como infecções de orofaringe pelo mesmo agente. O período de latência é geralmente de 2-6 semanas após a infecção cutânea.

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