Glomerulonefrite Membranosa: Diagnóstico e Complicações

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2020

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 45 anos, procurou atendimento hospitalar devido queixa de ""inchaço no corpo"". Ao ser avaliado, observou-se anasarca, de instalação há 05 dias, associada a astenia e urina espumosa. Recebeu diagnóstico de HAS há um mês, em uso de captopril desde então. Foi internado para investigação, e os exames revelaram proteinúria de 4,5g em 24h, LDL 220 mg/dl, albumina 2,5 mg/dl, dosagem de complemento dentro da normalidade. Foi solicitada uma biópsia renal com espessamento uniforme da membrana basal ao longo das alças capilares periféricas. Enquanto aguardava resultado da biópsia, paciente intercorreu com trombose de veia renal. Sobre o caso acima, marque o correto diagnóstico do paciente.

Alternativas

  1. A) Trata-se de Glomerulonefrite membranosa.
  2. B) Trata-se de Glomerulonefrite membranoproliferativa.
  3. C) Trata-se de Glomeruloesclerose segmentar focal.
  4. D) Trata-se de doença antimembrana basal glomerular.
  5. E) Trata-se de Glomerulonefrite mesangioproloiferativa.

Pérola Clínica

Síndrome Nefrótica + adulto + complemento normal + espessamento MBG + trombose veia renal → Glomerulonefrite Membranosa.

Resumo-Chave

A Glomerulonefrite Membranosa é a causa mais comum de síndrome nefrótica primária em adultos. Caracteriza-se por espessamento difuso da membrana basal glomerular e está associada a um alto risco de trombose de veia renal devido à perda urinária de anticoagulantes naturais.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Membranosa (GNM) é a causa mais comum de síndrome nefrótica primária em adultos, embora possa ocorrer em qualquer idade. É caracterizada por depósitos de imunocomplexos na face subepitelial da membrana basal glomerular, levando a um espessamento difuso e uniforme da mesma. A doença pode ser primária (idiopática) ou secundária a outras condições, como infecções (hepatite B, sífilis), doenças autoimunes (lúpus), neoplasias ou uso de certos medicamentos. A fisiopatologia envolve a formação de anticorpos contra antígenos presentes nos podócitos, como o receptor da fosfolipase A2 tipo M (PLA2R), resultando na deposição de imunocomplexos e ativação do complemento, que danificam a membrana basal e aumentam sua permeabilidade a proteínas. Clinicamente, manifesta-se com a síndrome nefrótica completa: edema, proteinúria maciça, hipoalbuminemia e hiperlipidemia. O diagnóstico é confirmado pela biópsia renal. O manejo da GNM visa controlar a proteinúria, prevenir complicações e, em casos de doença progressiva, induzir a remissão. O tratamento inclui medidas de suporte (diuréticos, IECA/BRA, estatinas) e imunossupressores (corticosteroides, ciclofosfamida, rituximabe), dependendo do risco de progressão. Uma complicação notável é o alto risco de eventos tromboembólicos, como a trombose de veia renal, devido à perda urinária de fatores anticoagulantes, exigindo profilaxia em pacientes de alto risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da síndrome nefrótica?

A síndrome nefrótica é definida pela presença de proteinúria > 3,5 g/24h (ou > 40 mg/m²/h em crianças), hipoalbuminemia (< 3,0 g/dL), edema e, frequentemente, hiperlipidemia.

Por que a trombose de veia renal é uma complicação comum na glomerulonefrite membranosa?

Pacientes com síndrome nefrótica, especialmente a membranosa, perdem proteínas anticoagulantes como a antitrombina III na urina, o que leva a um estado de hipercoagulabilidade e aumenta o risco de trombose, incluindo a de veia renal.

Como a biópsia renal auxilia no diagnóstico da glomerulonefrite membranosa?

A biópsia renal na glomerulonefrite membranosa revela espessamento difuso e uniforme da membrana basal glomerular, com depósitos subepiteliais de imunocomplexos, que podem ser visualizados como 'spikes' na microscopia eletrônica.

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