UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2020
Mulher de 27 anos apresenta eritema na região malar e no dorso do nariz, acompanhado de edema local e piora com exposição solar. Refere a presença concomitantemente de artrite das mãos, pés, joelhos e tornozelos, febre não aferida, fadiga generalizada e poliadenopatias. Relata que este quadro se iniciou há oito meses, e está piorando progressivamente. Há uma semana, vem apresentando edema dos membros inferiores e oligúria. Os exames laboratoriais mostram os seguintes resultados: Hemograma: anemia e leucopenia; VHS = 90 mm; eletroforese de proteínas: aumento policlonal de gamaglobulinas; FAN: padrão nuclear homogêneo, título > 1:640; C3 e C4 diminuídos; VDRL negativo; sorologias virais (HBV, HCV, HIV): negativas. Considerando a principal hipótese diagnóstica para esta paciente, a forma mais comum e mais grave de acometimento renal é glomerulonefrite
LES com acometimento renal grave → Glomerulonefrite Lúpica Difusa (Classe IV) é a mais comum e grave.
A Glomerulonefrite Lúpica Difusa (Classe IV) é a forma mais comum e grave de acometimento renal no Lúpus Eritematoso Sistêmico, caracterizada por proliferação endocapilar e extracapilar em mais de 50% dos glomérulos, levando a proteinúria, hematúria e insuficiência renal.
A nefrite lúpica é uma das manifestações mais sérias do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), afetando até 60% dos pacientes e sendo um dos principais preditores de morbimortalidade. O diagnóstico precoce e a classificação histopatológica são cruciais para guiar o tratamento e melhorar o prognóstico. A apresentação clínica pode variar de proteinúria assintomática a síndrome nefrótica ou nefrítica rapidamente progressiva. A classificação da nefrite lúpica é baseada em biópsia renal e divide-se em seis classes histopatológicas (I a VI). A Glomerulonefrite Lúpica Difusa Proliferativa (Classe IV) é a forma mais comum e, simultaneamente, a mais grave, caracterizada por proliferação endocapilar e/ou extracapilar em mais de 50% dos glomérulos. Fisiopatologicamente, ocorre deposição de imunocomplexos no mesângio, subendotélio e subepitélio, ativando processos inflamatórios que levam à lesão glomerular. O tratamento da nefrite lúpica, especialmente da Classe IV, geralmente envolve terapia imunossupressora agressiva, como pulsoterapia com corticosteroides seguida de micofenolato mofetil ou ciclofosfamida, para indução da remissão, e posteriormente terapia de manutenção. O monitoramento regular da função renal, proteinúria e níveis de complemento é essencial. O manejo adequado visa preservar a função renal e prevenir a progressão para doença renal crônica terminal, sendo um desafio constante na prática clínica.
Achados incluem proteinúria (especialmente nefrótica), hematúria, cilindros celulares, elevação da creatinina sérica, e consumo de complemento (C3 e C4) no contexto de um paciente com LES.
É a forma mais grave devido à sua alta taxa de progressão para doença renal terminal se não tratada adequadamente, envolvendo proliferação celular significativa e lesões inflamatórias em múltiplos glomérulos.
As classes variam de I (mesangial mínima) a VI (esclerótica avançada). A Classe II (mesangial proliferativa) e a Classe V (membranosa) são outras formas importantes, com prognósticos e abordagens terapêuticas distintas da Classe IV.
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