Glomerulonefrite Lúpica: Diagnóstico Definitivo e Manejo

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 28 anos é admitida na enfermaria com queixa de edema em membros inferiores, ganho ponderal e urina espumosa há 3 semanas, associado a artralgias e mal-estar geral. Ao exame físico, a pressão arterial é de 150 x 95 mmHg, com presença de edema em membros inferiores.Os exames laboratoriais revelam creatinina sérica de 2,1 mg/dL (valor de referência: 0,6 – 1,2 mg/dL), proteinúria de 4 g/24h, e hematúria microscópica com 20 hemácias/campo. A urina tipo 1 mostra cilindros hemáticos e dismorfismo eritrocitário. Testes sorológicos mostram FAN positivo (1: 640) em padrão nuclear homogêneo, anticorpos anti-DNA nativo elevados, e complemento sérico (C3 e C4) reduzido. Qual é o exame definitivo para confirmar o diagnóstico e o manejo adequado dessa paciente?

Alternativas

  1. A) Exame de urina 24h para proteinúria.
  2. B) Biópsia renal.
  3. C) Ultrassom doppler renal.
  4. D) Imunofluorescência indireta para FAN.
  5. E) Dosagem sérica de creatinina seriada.

Pérola Clínica

Suspeita de Glomerulonefrite Lúpica com evidências clínicas e laboratoriais → Biópsia renal para diagnóstico definitivo e classificação.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clínico e laboratorial altamente sugestivo de glomerulonefrite lúpica (síndrome nefrítica/nefrótica, FAN e anti-DNA positivos, complemento baixo, alterações urinárias). A biópsia renal é o exame definitivo para confirmar o diagnóstico, classificar a classe histopatológica da glomerulonefrite lúpica e guiar o tratamento imunossupressor específico.

Contexto Educacional

A glomerulonefrite lúpica (GNL) é uma das manifestações mais graves do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), afetando até 60% dos pacientes. Ela pode se apresentar com síndromes nefríticas, nefróticas ou mistas, e é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes com LES. O diagnóstico precoce e a classificação histopatológica são fundamentais para o manejo adequado e para preservar a função renal. A apresentação clínica da GNL é variada, incluindo proteinúria (que pode levar à síndrome nefrótica), hematúria (com dismorfismo eritrocitário e cilindros hemáticos), hipertensão arterial e insuficiência renal. Os exames laboratoriais típicos incluem FAN positivo, anticorpos anti-DNA nativo elevados e consumo de complemento (C3 e C4). A biópsia renal é o padrão-ouro para o diagnóstico e classificação da GNL, fornecendo informações cruciais sobre a classe histológica, atividade e cronicidade da lesão. Essas informações são indispensáveis para guiar a escolha do regime imunossupressor (ciclofosfamida, micofenolato mofetil, etc.) e para monitorar a resposta ao tratamento, visando prevenir a progressão para doença renal terminal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para suspeitar de glomerulonefrite lúpica?

A suspeita surge em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) que desenvolvem proteinúria significativa (>0,5g/24h), hematúria, cilindros urinários, elevação da creatinina sérica ou síndrome nefrítica/nefrótica.

Por que a biópsia renal é considerada o exame definitivo?

A biópsia renal permite a avaliação histopatológica do tecido renal, identificando o padrão de lesão glomerular (classes da GN lúpica), a atividade da doença (inflamação) e a cronicidade (fibrose), informações essenciais para guiar a terapia imunossupressora.

Quais são as principais classes de glomerulonefrite lúpica?

As classes histopatológicas da glomerulonefrite lúpica (segundo a ISN/RPS) variam de I (mesangial mínima) a VI (esclerótica avançada), sendo as classes III (proliferativa focal), IV (proliferativa difusa) e V (membranosa) as mais comuns e clinicamente relevantes.

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