Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Achados

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

Um adolescente de 14 anos foi admitido ao hospital, com queixas de edema generalizado e cefaleia há uma semana. Ele referia um episódio de impetigo cerca de um mês atrás, que foi tratado com cefalexina. A admissão, a PA era 200 x 140 mmHg. Qual dos achados laboratoriais abaixo seria mais provavelmente encontrado neste caso?

Alternativas

  1. A) Proteinúria de 10 g/24 horas
  2. B) C3 normal
  3. C) Cilindros céreos na sedimentoscopia urinária
  4. D) Hemácias dismórficas na urina
  5. E) Títulos elevados de antiestreptolisina O

Pérola Clínica

GNDA-PE: Impetigo/faringite prévia + edema + hipertensão + hematúria dismórfica + C3 ↓.

Resumo-Chave

O quadro clínico de edema, cefaleia e hipertensão arterial em um adolescente com história recente de impetigo é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA-PE). A GNDA-PE é uma síndrome nefrítica, caracterizada por lesão glomerular que resulta em hematúria com hemácias dismórficas na urina, proteinúria subnefrótica e, frequentemente, hipocomplementenemia (C3 baixo).

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA-PE) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica em crianças e adolescentes, geralmente ocorrendo 1 a 2 semanas após uma faringite estreptocócica ou 3 a 6 semanas após um impetigo. É uma doença imunomediada, onde complexos antígeno-anticorpo se depositam nos glomérulos, levando a uma resposta inflamatória. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos, ativando o sistema complemento e resultando em dano glomerular. Clinicamente, manifesta-se por edema, hipertensão, hematúria (macroscópica ou microscópica com hemácias dismórficas), oligúria e proteinúria subnefrótica. O diagnóstico é baseado na história clínica, exame físico e achados laboratoriais, como hematúria dismórfica, cilindros hemáticos, hipocomplementenemia (C3 baixo) e títulos elevados de antiestreptolisina O (ASO) ou anti-DNase B. O tratamento da GNDA-PE é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão (com diuréticos e anti-hipertensivos) e o edema (com restrição hídrica e de sódio, diuréticos). Antibióticos são usados para erradicar a infecção estreptocócica residual, mas não alteram o curso da glomerulonefrite já instalada. O prognóstico é geralmente bom em crianças, com recuperação completa na maioria dos casos, mas a monitorização a longo prazo é importante devido ao risco, embora baixo, de progressão para doença renal crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNDA-PE)?

Os principais sinais e sintomas da GNDA-PE incluem edema (especialmente periorbital e em membros inferiores), hipertensão arterial, oligúria e urina escura (hematúria macroscópica). Geralmente, há história prévia de infecção estreptocócica, como faringite ou impetigo.

Por que as hemácias dismórficas são um achado importante na GNDA-PE?

As hemácias dismórficas na urina indicam que o sangramento se origina do glomérulo, onde as hemácias sofrem alterações morfológicas ao passar pela membrana basal glomerular danificada. Este é um achado característico de lesão glomerular e síndrome nefrítica.

Qual o papel dos títulos de antiestreptolisina O (ASO) no diagnóstico da GNDA-PE?

Títulos elevados de ASO indicam infecção estreptocócica recente, sendo um marcador importante para confirmar a etiologia pós-estreptocócica da glomerulonefrite. No entanto, o diagnóstico é clínico-laboratorial, e a presença de ASO elevado não é suficiente por si só para o diagnóstico de GNDA-PE.

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