Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Manejo

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menino de 8 anos com história de edema de face e em membros inferiores há três dias associado à diminuição do débito urinário e urina escurecida. Os pais negam problemas prévios de saúde, referindo apenas que há 1 mês, paciente fez uso de cefalexina para tratar uma infecção de pele no membro inferior direito. Ao exame físico, FC = 88 bpm, PA = 138 x 67 (99) mmHg, FR = 34 ipm, SatO₂ = 89% em ar ambiente. Ausculta pulmonar diminuída em ambas as bases, com estertores crepitantes. Sinais de desconforto respiratório leve.Tendo em vista a principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa que contenha, respectivamente, a alteração laboratorial esperada e a conduta inicial adequada para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Antiesteptolisina O (ASLO) diminuída; restrição hidrossalina e furosemida.
  2. B) Albumina sérica diminuída; albumina e corticoide.
  3. C) Anticorpos antidesoxirribonuclease B (anti-DNase B) elevados; restrição hidrossalina e furosemida.
  4. D) Dismorfismo eritrocitário presente; albumina e corticoide.

Pérola Clínica

GNPE: edema, HAS, oligúria, urina escura + infecção estreptocócica prévia. Anti-DNase B ↑. Conduta inicial: restrição hidrossalina + furosemida.

Resumo-Chave

O quadro clínico de edema, hipertensão, oligúria e urina escurecida, associado a uma infecção estreptocócica prévia (faringite ou piodermite), é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA ou GNPE). A elevação de anticorpos como anti-DNase B confirma a infecção recente. A conduta inicial visa controlar a sobrecarga volêmica e a hipertensão com restrição hidrossalina e diuréticos.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA ou GNPE) é uma doença renal inflamatória que ocorre como complicação de uma infecção prévia por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). É mais comum em crianças em idade escolar e é uma das causas mais frequentes de síndrome nefrítica aguda na pediatria. A importância clínica reside na sua potencial gravidade, com risco de complicações como hipertensão grave, insuficiência cardíaca e insuficiência renal aguda. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos renais, desencadeando uma resposta inflamatória. O diagnóstico é baseado na tríade clínica de edema, hipertensão e hematúria (urina escurecida), geralmente precedida por uma faringite (1-3 semanas antes) ou piodermite (3-6 semanas antes). Marcadores sorológicos de infecção estreptocócica recente, como o Anti-Estreptolisina O (ASLO) e, especialmente para infecções cutâneas, o Anti-DNase B, são úteis para confirmar a etiologia. A presença de dismorfismo eritrocitário na urina também é um achado característico. O tratamento da GNPE é principalmente de suporte, visando controlar as complicações. A conduta inicial para pacientes com sobrecarga volêmica e hipertensão inclui restrição hidrossalina e o uso de diuréticos (como furosemida). Em casos de hipertensão grave, podem ser necessários anti-hipertensivos. O prognóstico é geralmente bom na maioria das crianças, com recuperação completa da função renal. No entanto, um pequeno percentual pode evoluir para doença renal crônica, sendo o acompanhamento a longo prazo importante.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE)?

Os principais sinais e sintomas da GNPE incluem edema (facial e em membros inferiores), hipertensão arterial, oligúria (diminuição do débito urinário) e urina escurecida (hematúria macroscópica). Estes sintomas geralmente surgem 1 a 3 semanas após uma infecção de garganta ou 3 a 6 semanas após uma infecção de pele por Streptococcus pyogenes.

Por que o anti-DNase B é um marcador útil na GNPE?

O anticorpo anti-desoxirribonuclease B (anti-DNase B) é um marcador de infecção estreptocócica recente, assim como o ASLO. No entanto, o anti-DNase B tende a permanecer elevado por mais tempo após infecções de pele (piodermites) do que o ASLO, tornando-o mais sensível para confirmar uma infecção estreptocócica cutânea prévia, que é uma causa comum de GNPE.

Qual a conduta inicial para o paciente com GNPE e sobrecarga volêmica?

A conduta inicial para pacientes com GNPE e sinais de sobrecarga volêmica (edema, hipertensão, desconforto respiratório) inclui restrição hidrossalina rigorosa (restrição de sódio e líquidos) e o uso de diuréticos de alça, como a furosemida. Isso ajuda a controlar a hipertensão e a reduzir o edema, prevenindo complicações como a insuficiência cardíaca congestiva e o edema agudo de pulmão.

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