FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
Escolar de oito anos, com quadro de Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pósestreptocócica, na quinta semana de doença, mantém hipertensão arterial e hematúria macroscópica. Exames complementares: proteína urinária: 60 mg/kg/dia; ureia: 80 mg/dl; creatinina: 2,8 mg/dl; ultrassonografia renal: rins aumentados de volume, sem perda da relação corticomedular. Neste caso indica-se:
GNDA com IRA e proteinúria nefrítica persistente > 4-6 semanas → Biópsia renal para avaliar prognóstico e guiar tratamento.
A persistência de hipertensão, hematúria macroscópica e disfunção renal (ureia/creatinina elevadas) após 4-6 semanas do início da GNDA pós-estreptocócica é um sinal de alerta. Nesses casos, a biópsia renal é indicada para avaliar a extensão da lesão glomerular e guiar a necessidade de terapias imunossupressoras, como a pulsoterapia com metilprednisolona, caso haja crescentos.
A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é uma doença renal inflamatória que ocorre após infecção por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes. É mais comum em crianças e geralmente tem um curso benigno e autolimitado, com recuperação completa da função renal na maioria dos casos. A importância clínica reside no reconhecimento precoce e manejo das complicações, como hipertensão e sobrecarga volêmica. O diagnóstico é clínico, laboratorial (hematúria, proteinúria, queda do C3) e epidemiológico. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos. A suspeita de um curso atípico ou progressivo surge quando há persistência de sintomas como hipertensão e hematúria macroscópica, ou piora da função renal após o período esperado de recuperação (geralmente 4-6 semanas). Nesses casos de evolução desfavorável ou atípica, a biópsia renal torna-se fundamental para avaliar a histologia, identificar lesões como crescentos (que indicam glomerulonefrite rapidamente progressiva) e guiar a conduta terapêutica. O tratamento pode incluir medidas de suporte e, em casos selecionados com lesões graves na biópsia, imunossupressão com pulsoterapia de metilprednisolona para tentar preservar a função renal.
Sinais de alerta incluem persistência de hipertensão, hematúria macroscópica, proteinúria nefrítica ou disfunção renal após 4-6 semanas do início da doença, ou apresentação atípica.
A pulsoterapia com metilprednisolona pode ser indicada em casos de GNDA com biópsia mostrando lesões graves, como crescentos, sugerindo uma glomerulonefrite rapidamente progressiva.
A ultrassonografia renal é útil para avaliar o tamanho dos rins, a relação corticomedular e descartar outras causas de lesão renal, como obstrução, mas não define a histologia.
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