GNDA em Adolescentes: Manejo da Hipertensão e Edema

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2022

Enunciado

Adolescente, sexo feminino, 16 anos de idade, dá entrada no pronto-socorro queixando-se de hematúria, há cerca de 6 dias. Fez uso de fosfomicina por conta própria, sem melhora. Nega disúria, dor lombar ou febre. Nega comorbidades. Ao exame, apresenta FC: 90bpm, PA: 152x92mmHg. Observa-se edema periorbitário bilateral e edema em membros inferiores, sem outros achados. Realizados exames, com Hb: 10,5g/dL, leucócitos 11mil/mm³, plaquetas 170mil/mm³, Na: 140mEq/L, K: 3,8mEq/L, Cr: 1,6g/dL Ur: 75mg/dL. Sumário de urina com hematúria: 3+/3, proteinúria: 2+/3. ASLO: 1000UI/mL (VR <200). Diante dos dados clínicos apresentados,Em relação à conduta terapêutica, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia é a melhor escolha para resolução do quadro renal.
  2. B) Diuréticos de alça são contraindicados devido à disfunção renal.
  3. C) É recomendada restrição hídrica e dieta hipossódica.
  4. D) Os betabloqueadores são os anti-hipertensivos de escolha.

Pérola Clínica

GNDA-PE com sobrecarga volêmica/HAS → restrição hídrica e dieta hipossódica são medidas essenciais.

Resumo-Chave

O quadro clínico da adolescente é compatível com GNDA-PE, caracterizada por síndrome nefrítica com hipertensão e edema devido à retenção hidrossalina. A restrição hídrica e a dieta hipossódica são medidas fundamentais para controlar a sobrecarga volêmica e a pressão arterial, prevenindo complicações.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA-PE) é uma causa importante de lesão renal aguda em adolescentes, apresentando-se como uma síndrome nefrítica. Caracteriza-se por hematúria, proteinúria, edema, hipertensão e, por vezes, oligúria, geralmente após uma infecção de garganta ou pele por Streptococcus pyogenes. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para evitar complicações graves. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada à infecção estreptocócica, com formação e deposição de imunocomplexos nos glomérulos renais. Isso leva à inflamação e dano glomerular, resultando em diminuição da filtração glomerular e retenção de sódio e água, o que causa o edema e a hipertensão arterial. O diagnóstico é suportado por exames como sumário de urina (hematúria, proteinúria), função renal (ureia, creatinina) e marcadores de infecção estreptocócica (ASLO, anti-DNase B). O tratamento da GNDA-PE é primariamente de suporte. A restrição hídrica e a dieta hipossódica são as pedras angulares para controlar a sobrecarga volêmica, o edema e a hipertensão. Diuréticos de alça (como a furosemida) podem ser necessários para pacientes com edema significativo ou hipertensão refratária. Anti-hipertensivos podem ser adicionados se a pressão arterial permanecer elevada. A antibioticoterapia é indicada para erradicar o agente etiológico e prevenir a disseminação, mas não impacta diretamente a lesão renal já instalada. O prognóstico é geralmente favorável, com recuperação completa na maioria dos adolescentes.

Perguntas Frequentes

Quais as principais manifestações clínicas da GNDA-PE em adolescentes?

Em adolescentes, a GNDA-PE se manifesta com hematúria (macroscópica ou microscópica), edema (facial e de membros), hipertensão arterial, oligúria e, em casos mais graves, sintomas de sobrecarga volêmica como dispneia.

Por que a restrição hídrica e a dieta hipossódica são cruciais na GNDA-PE?

Essas medidas são cruciais para controlar a retenção de sódio e água, que é a base da hipertensão e do edema na GNDA-PE. Elas ajudam a reduzir a sobrecarga volêmica, prevenindo complicações como insuficiência cardíaca e encefalopatia hipertensiva.

Quando a antibioticoterapia é indicada na GNDA-PE em adolescentes?

A antibioticoterapia (geralmente Penicilina Benzatina) é indicada para erradicar a infecção estreptocócica subjacente, prevenindo a disseminação da bactéria, mas não altera o curso da lesão renal já estabelecida. É importante iniciá-la se houver evidência de infecção ativa ou para profilaxia secundária.

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