UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020
Pré-escolar, 5 anos, masculino, dá entrada na emergência pediátrica com dificuldade respiratória. Mãe refere urina escura, edema palpebral com evolução há 3 dias. Com história pregressa de lesões em membros inferiores (a mãe diz que tratou no posto de saúde para impetigo). FR = 35 ipm FC = 98 bpm, afebril 37.3 Pa 160 X 120. MV+ diminuído à esquerda com estertores crepitantes em bases. Considerando esse caso e o exame físico, assinale a alternativa correta quanto ao diagnóstico etiológico e ao medicamento a ser usado na primeira abordagem, na emergência.
GNDA: História de infecção cutânea/faringe + edema + HAS + hematúria. Na emergência, HAS grave/edema pulmonar → Furosemida EV.
A Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA) é uma complicação não supurativa de infecções por Streptococcus pyogenes. A apresentação clássica inclui edema (periorbital), hipertensão arterial, urina escura (hematúria) e oligúria. Em casos de hipertensão grave ou sobrecarga volêmica com edema pulmonar, a furosemida intravenosa é a primeira escolha para manejo emergencial.
A Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA) é uma das glomerulonefrites mais comuns na infância, sendo crucial para residentes e estudantes de medicina. Ela ocorre após infecções por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes, como impetigo ou faringite, com um período de latência de 1 a 3 semanas. A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos, ativando o sistema complemento e causando inflamação. O diagnóstico da GNDA é clínico, baseado na tríade de edema, hipertensão e hematúria, associado à história de infecção prévia. Exames laboratoriais podem revelar elevação de ureia e creatinina, hipocomplementenemia (C3 baixo), e títulos elevados de antiestreptolisina O (ASLO) ou anti-DNase B. A biópsia renal raramente é necessária, sendo reservada para casos atípicos ou com evolução desfavorável. O tratamento da GNDA é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão e a sobrecarga volêmica. Restrição hídrica e de sódio são medidas iniciais. Diuréticos como a furosemida são indicados para edema e hipertensão, enquanto anti-hipertensivos podem ser necessários. Antibióticos são usados para erradicar a infecção estreptocócica residual, mas não alteram o curso da glomerulonefrite. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa na maioria das crianças.
A GNDA classicamente se manifesta com edema (especialmente periorbital), hipertensão arterial, urina escura (hematúria macroscópica ou microscópica), oligúria e, por vezes, dor abdominal ou mal-estar. Geralmente, há história prévia de infecção de pele (impetigo) ou garganta por Streptococcus pyogenes.
Para hipertensão grave e sobrecarga volêmica, como no caso de edema pulmonar, a furosemida intravenosa é o medicamento de primeira linha para promover diurese e reduzir a pressão arterial. Anti-hipertensivos como nifedipina oral ou nitroprussiato EV podem ser necessários para controle da PA se a furosemida for insuficiente.
A GNDA se diferencia pela tríade de edema, hipertensão e hematúria, frequentemente com história de infecção estreptocócica recente e níveis baixos de C3. A síndrome nefrótica, por outro lado, apresenta edema maciço, proteinúria intensa, hipoalbuminemia e, geralmente, normotensão.
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