Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Evolução

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020

Enunciado

Menino, 5 anos de idade, apresentou quadro de faringoamigdalite bacteriana há cerca de 2 semanas, evoluindo há 1 dia com quadro de edema, hematúria macroscópica e redução de débito urinário. Após atendimento em pronto-socorro foi observada hematúria com dismorfismo eritrocitário positivo e hipertensão arterial (PA = 140x70 mmHg). Em relação à condição apresentada pelo paciente assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) o intervalo de tempo entre a piodermite e o quadro renal é habitualmente menor do que nos quadros de amigdalite
  2. B) o manejo do quadro envolve restrição hídrica, corticoide e repouso relativo
  3. C) a normalização dos níveis de complemento ocorre habitualmente 6 a 8 semanas após o quadro
  4. D) a tríade característica clássica envolve hipertensão, proteinúria e hematúria
  5. E) A recuperação completa ocorre em cerca de 60% dos casos

Pérola Clínica

GNDA pós-estreptocócica: latência 1-3 sem (faringite), 3-6 sem (piodermite); C3 ↓ normaliza em 6-8 sem.

Resumo-Chave

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é uma complicação tardia de infecções por Streptococcus pyogenes. O diagnóstico é clínico (edema, hematúria, hipertensão) e laboratorial (dismorfismo eritrocitário, consumo de C3), sendo a normalização do complemento um marcador importante da evolução da doença.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é uma das glomerulonefrites mais comuns na infância, resultante de uma resposta imune anormal a infecções prévias por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). É uma doença de complexos imunes, onde anticorpos formados contra antígenos estreptocócicos se depositam nos glomérulos renais, ativando o sistema complemento e causando inflamação. O quadro clínico clássico, conhecido como síndrome nefrítica, manifesta-se tipicamente 1 a 3 semanas após uma faringoamigdalite ou 3 a 6 semanas após uma piodermite. Os sintomas incluem edema (especialmente periorbital e em membros inferiores), hematúria (urina escura, cor de 'coca-cola'), e hipertensão arterial. O diagnóstico é suportado pela história clínica, exame de urina (hematúria com dismorfismo eritrocitário, proteinúria leve), e exames de sangue que mostram níveis reduzidos de C3 do complemento e títulos elevados de antiestreptolisina O (ASLO) ou anti-DNase B. O manejo é de suporte, com controle da hipertensão (diuréticos, anti-hipertensivos) e restrição hídrica e de sódio para o edema. Corticosteroides não são rotineiramente indicados. O prognóstico é geralmente excelente na infância, com recuperação completa em mais de 90% dos casos. A normalização dos níveis de C3 em 6 a 8 semanas é um bom indicador de resolução da doença, e a persistência da hipocomplementemia além desse período deve levantar a suspeita de outras glomerulonefrites.

Perguntas Frequentes

Qual o tempo de latência típico entre a infecção estreptocócica e o início da GNDA?

O tempo de latência típico é de 1 a 3 semanas após uma faringoamigdalite estreptocócica e de 3 a 6 semanas após uma piodermite estreptocócica. Este intervalo é crucial para o diagnóstico diferencial.

Quais são os principais achados clínicos da Glomerulonefrite Difusa Aguda?

Os principais achados clínicos formam a tríade da síndrome nefrítica: hematúria (macroscópica ou microscópica, com dismorfismo eritrocitário), edema (periorbital e em membros inferiores) e hipertensão arterial. Oligúria e proteinúria também são comuns.

Por que os níveis de complemento são importantes na GNDA pós-estreptocócica?

Na GNDA pós-estreptocócica, os níveis de C3 (e ocasionalmente C4) estão tipicamente diminuídos devido ao consumo pela via alternativa do complemento. A normalização desses níveis, que ocorre em 6 a 8 semanas, é um indicador de boa evolução e ajuda a diferenciar de outras glomerulonefrites com hipocomplementemia persistente.

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