Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2025
Criança de 7 anos de idade, sexo masculino, é internado por apresentar, há 3 dias, quadro de dor abdominal, cefaleia, edema facial e de membros inferiores, urina de cor escura, mais avermelhada" tipo caldo de carne". Mãe relata que 15 dias antes de iniciar esse quadro a criança foi diagnosticada com faringoamigdalite e recebeu dose única de penicilina benzatina. Criança previamente hígida. Exame físico realizado mostrou criança com regular estado geral, em anasarca, pressão arterial acima do percentil 95% para a idade e sexo, hematúria macroscópica. Frequência cardíaca de 112 bpm. Frequência respiratória 30 irpm e murmúrio diminuído em bases. Abdome globoso de difícil palpação. A respeito do provável diagnóstico desta criança, é CORRETO afirmar:
GNDA: história de infecção estreptocócica (1-3 semanas antes) + edema, hipertensão, hematúria macroscópica e C3 ↓.
A Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA) é uma complicação não supurativa de infecção por Streptococcus pyogenes. O diagnóstico é fortemente sugerido pela tríade de edema, hipertensão e hematúria, com um período de latência típico após a infecção, e confirmado pela redução dos níveis séricos de complemento (C3 e CH50).
A Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA) é uma das glomerulonefrites mais comuns na infância, sendo uma complicação não supurativa de infecções causadas pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). A compreensão de sua fisiopatologia, que envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos e ativação do sistema complemento, é fundamental para o diagnóstico e manejo. É crucial para residentes reconhecer o quadro clínico clássico e a importância dos exames laboratoriais complementares. O diagnóstico da GNDA é primariamente clínico, baseado na história de uma infecção estreptocócica recente (faringoamigdalite ou piodermite) seguida por um período de latência e o desenvolvimento de edema, hipertensão e hematúria. A confirmação laboratorial se dá pela dosagem de complemento sérico, onde se observa uma redução transitória dos níveis de C3 e CH50, que geralmente se normalizam em 6 a 8 semanas. A presença de anticorpos anti-estreptocócicos, como ASLO e anti-DNase B, também apoia o diagnóstico. O tratamento da GNDA é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão (com diuréticos e/ou anti-hipertensivos), o edema e a sobrecarga volêmica. A antibioticoterapia é indicada apenas para erradicar a cepa estreptocócica persistente, não alterando o curso da doença renal. O prognóstico é geralmente bom na infância, com recuperação completa na maioria dos casos, mas o acompanhamento é importante para identificar complicações como insuficiência renal aguda ou, raramente, progressão para doença renal crônica.
Os principais sinais e sintomas da GNDA incluem edema (facial e de membros inferiores), hipertensão arterial, hematúria macroscópica (urina com aspecto de 'caldo de carne' ou avermelhada), oligúria e, por vezes, cefaleia e dor abdominal. Há uma história prévia de infecção estreptocócica, como faringoamigdalite ou piodermite.
A dosagem de complemento (especialmente C3 e CH50) é crucial porque na GNDA, os níveis séricos de C3 e CH50 estão tipicamente baixos devido à ativação da via alternativa do complemento pelos imunocomplexos depositados nos glomérulos. Essa redução é transitória, normalizando em 6-8 semanas, e ajuda a diferenciar a GNDA de outras glomerulonefrites.
O período de latência típico entre a infecção estreptocócica e o início dos sintomas da GNDA é de 1 a 3 semanas após uma faringoamigdalite e de 3 a 6 semanas após uma infecção cutânea (piodermite). Este intervalo é fundamental para a suspeita diagnóstica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo