GNDA Pós-Estreptocócica: Complemento C3 e Prognóstico

ENARE/ENAMED — Prova 2023

Enunciado

A glomerulonefrite difusa aguda pós-estreptocócica é a mais comum das glomerulopatias da infância. Sobre essa glomerulonefrite, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A dosagem do complemento sérico é obrigatória, tendo seus valores diminuídos em 95 a 98% dos casos, sendo que sua normalização em 4 a 8 semanas é um marcador importante de prognóstico e diagnóstico diferencial.
  2. B) Nas alterações urinárias, observa-se hematúria, macroscópica ou microscópica, em cerca de 95% dos casos e proteinúria, raramente em níveis nefróticos, o que, na fase aguda, é um importante indicador de gravidade da nefropatia.
  3. C) A insuficiência renal aguda é uma das complicações mais comuns, apresentando oligoanúria intensa, retenção de escórias proteicas no plasma e distúrbios hidreletrolíticos graves, com tendência à hiperpotassemia.
  4. D) A encefalopatia hipertensiva é uma complicação que se deve essencialmente à hipertensão e pode cursar com cefaleia, vômitos, alterações visuais, agitação, sonolência, crise convulsiva ou coma e, ao exame de fundo de olho, observam-se as alterações características de hipertensão arterial, na maioria dos casos.
  5. E) Congestão circulatória é a complicação mais frequente, caracterizada por sinais clínicos de hipervolemia e que pode ser agravada por hipertensão, levando a insuficiência cardíaca congestiva e edema agudo de pulmão, com evidência de dano miocárdico intrínseco.

Pérola Clínica

GNDA-PE → C3 ↓ em 95-98% dos casos, normaliza em 4-8 semanas.

Resumo-Chave

A hipocomplementemia, especialmente do C3, é um achado característico da GNDA-PE, sendo crucial para o diagnóstico e monitoramento. Sua normalização dentro de 4-8 semanas é esperada e indica bom prognóstico, auxiliando na diferenciação de outras glomerulonefrites que podem cursar com hipocomplementemia persistente.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA-PE) é a glomerulopatia mais comum na infância, desencadeada por uma infecção prévia por Streptococcus pyogenes (faringite ou impetigo). A doença é mediada por complexos imunes que se depositam nos glomérulos, ativando o sistema complemento. O quadro clínico clássico é a síndrome nefrítica, caracterizada por hematúria, edema, hipertensão e, por vezes, oligúria. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com evidência de infecção estreptocócica recente (ASLO ou anti-DNase B elevados) e, crucialmente, hipocomplementemia transitória, com C3 reduzido em quase todos os casos. A normalização do C3 em 4 a 8 semanas é um importante marcador de prognóstico favorável e auxilia no diagnóstico diferencial com outras glomerulonefrites que cursam com hipocomplementemia persistente. O tratamento é de suporte, visando controlar a hipertensão e o edema com diuréticos e anti-hipertensivos, e restrição hídrica e de sódio. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa na maioria das crianças.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do complemento sérico C3 no diagnóstico da GNDA-PE?

A dosagem do complemento sérico C3 é fundamental no diagnóstico da GNDA-PE, pois seus níveis estão diminuídos em 95% a 98% dos casos. A hipocomplementemia transitória é um marcador distintivo da doença.

Em quanto tempo o nível de C3 deve se normalizar na GNDA-PE?

Na GNDA-PE, os níveis de C3 geralmente se normalizam em um período de 4 a 8 semanas. A persistência da hipocomplementemia além desse período deve levantar a suspeita de outras glomerulopatias.

Quais são as principais manifestações clínicas da Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica?

As manifestações clínicas incluem hematúria (macroscópica ou microscópica), edema (especialmente periorbital), hipertensão arterial e, em casos mais graves, oligúria e insuficiência renal aguda. Pode haver história de infecção estreptocócica prévia.

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