HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2022
L.A.R, sexo masculino, 6 anos, é trazido à Emergência Pediátrica pela sua mãe com queixa de estar fazendo pouco xixi e inchaço. Na anamnese, você consegue saber que esse é o 1º episódio que a criança teve. Há 7 dias , queixou-se de dor de garganta , a mãe deu Ibuprofeno para não levar à UPA por causa da pandemia COVID-19 e ele melhorou. Porém, desde ontem ele começou a inchar. Ao exame físico, os achados positivos são : edema facial, principalmente palpebral, à oroscopia tem discreta hiperemia amigdaliana, ausculta pulmonar com estertores crepitantes em bases, ausculta cardíaca com FC:120 bpm, ao abaixar a calça para examinar o abdome, você vê a marca do elástico na parede abdominal, membros inferiores com edema 2 cruzes em 4. Pressão arterial acima dos valores esperados para a idade. Ureia : 60; Cr: 0,9 ; K: 5,4 ( todos com alteração em relação aos valores de referência para a idade), Hemoglobina: 10, Leucograma e plaquetas normais. Parcial de urina com 100.000 hemácias e 50.000 leucócitos. Você decide interná-lo para tratamento e monitorização, prescreve Dieta hipossódica, controle de dados vitais de 6/6 horas, sintomáticos e o que mais não pode faltar nessa prescrição?
GNDA-PE: história de faringite/piodermite + edema, HAS, oligúria, hematúria → Penicilina + Furosemida.
O caso descreve um quadro clássico de GNDA-PE, com história de infecção estreptocócica prévia, edema, hipertensão e alterações urinárias. O tratamento visa erradicar o Streptococcus (Penicilina Benzatina) e controlar a sobrecarga volêmica e hipertensão (Furosemida), além de dieta hipossódica e restrição hídrica.
A Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA-PE) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica em crianças, tipicamente ocorrendo após infecção de orofaringe ou pele por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes. Sua importância reside na necessidade de reconhecimento precoce para manejo adequado da hipertensão e sobrecarga volêmica, prevenindo complicações graves como encefalopatia hipertensiva e insuficiência cardíaca. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos renais, desencadeando uma resposta inflamatória que leva à lesão glomerular. O diagnóstico é clínico, baseado na história de infecção estreptocócica prévia (faringite ou piodermite), associada a edema, hipertensão, oligúria e hematúria. Exames laboratoriais confirmam a disfunção renal (ureia/creatinina elevadas, hipercalemia), hematúria e proteinúria no sumário de urina, e frequentemente níveis elevados de ASLO ou anti-DNase B. O tratamento da GNDA-PE é de suporte, visando controlar a hipertensão e a sobrecarga volêmica. A Penicilina Benzatina é fundamental para erradicar o Streptococcus e prevenir a disseminação da infecção, embora não altere o curso da nefrite. Diuréticos como a Furosemida são empregados para reduzir o edema e a pressão arterial. A restrição hídrica e dieta hipossódica são medidas essenciais. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa na maioria dos casos pediátricos.
A GNDA-PE classicamente se manifesta com edema (especialmente periorbitário), hipertensão arterial, oligúria e urina escura (hematúria macroscópica), geralmente 1-3 semanas após uma infecção estreptocócica.
A Penicilina Benzatina é utilizada para erradicar a cepa nefritogênica de Streptococcus pyogenes, prevenindo a disseminação da infecção e protegendo outros indivíduos, embora não altere o curso da lesão renal já estabelecida.
A Furosemida é indicada para controlar a sobrecarga volêmica, o edema e a hipertensão arterial na GNDA-PE, atuando como diurético de alça para aumentar a excreção de sódio e água.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo