GNDA Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e C3 Baixo

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Escolar, sexo feminino, com 6 anos de idade. Mãe percebeu inchaço nas pálpebras, bilateralmente, há 6 dias. Nos últimos três dias, houve piora do edema e distensão abdominal. Apresentou dois episódios de vômitos. Há diminuição do volume urinário e escurecimento da urina. Há cerca de 15 dias, fez uso de penicilina benzatina para um quadro de “dor de garganta”. O pediatra aferiu e encontrou PA de 120 x 80 mmHg. Qual o dado laboratorial que, isoladamente, é considerado mais fidedigno para confirmar o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Elevação de ureia e creatinina no sangue.
  2. B) Títulos de antiestreptolisina O elevados.
  3. C) Níveis baixos da fração C3 do complemento.
  4. D) Proteinúria de 24 horas acima de 50 mg/kg/dia.
  5. E) Urina 1 com leucocitúria e hematúria, micro ou macroscópica.

Pérola Clínica

GNDA-PE → Edema, oligúria, hipertensão + história faringite + C3 baixo = diagnóstico mais fidedigno.

Resumo-Chave

A GNDA-PE é uma complicação de infecção estreptocócica, caracterizada por hipocomplementenemia transitória, principalmente da fração C3. Embora outros exames sejam alterados, a redução do C3 é um marcador diagnóstico crucial e fidedigno.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA-PE) é uma das glomerulonefrites mais comuns na infância, resultante de uma resposta imune anormal a infecções por Streptococcus pyogenes (faringite ou piodermite). Sua incidência diminuiu com o tratamento adequado de infecções estreptocócicas, mas ainda é uma causa importante de doença renal aguda em crianças. A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos, ativando o sistema complemento e causando inflamação. O diagnóstico é suspeitado pela tríade clássica de edema (periorbital), oligúria e hipertensão, associada à história de infecção estreptocócica recente. Laboratorialmente, a hipocomplementenemia da fração C3 é o achado mais fidedigno, presente em cerca de 90% dos casos, e geralmente se normaliza em 6-8 semanas. Outros achados incluem hematúria (macro ou microscópica), proteinúria, elevação de ureia e creatinina, e títulos elevados de antiestreptolisina O (ASLO) ou anti-DNAse B. O tratamento da GNDA-PE é de suporte, visando controlar a hipertensão, o edema e a sobrecarga volêmica. Diuréticos e anti-hipertensivos são frequentemente necessários. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa da função renal na maioria dos casos, embora uma pequena porcentagem possa evoluir para doença renal crônica. É crucial o acompanhamento para monitorar a normalização do C3 e da função renal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da GNDA-PE em crianças?

A GNDA-PE manifesta-se com edema (especialmente periorbital), oligúria, urina escura (hematúria), hipertensão arterial e, por vezes, dor abdominal ou vômitos, geralmente 1-3 semanas após uma infecção estreptocócica.

Por que a fração C3 do complemento é importante no diagnóstico da GNDA-PE?

A hipocomplementenemia da fração C3 é um achado característico e fidedigno da GNDA-PE, refletindo a ativação da via alternativa do complemento pelos imunocomplexos depositados no glomérulo. Os níveis de C3 geralmente se normalizam em 6-8 semanas.

Como diferenciar a GNDA-PE de outras causas de glomerulonefrite?

A história de infecção estreptocócica prévia, a hipocomplementenemia transitória de C3 e a ausência de outros sinais sistêmicos (como em lúpus) ajudam a diferenciar a GNDA-PE de outras glomerulonefrites.

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