IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Pré-escolar de 8 anos de idade é atendida no ambulatório de Pediatria, em função de edema, diminuição da diurese, urina escura (às vezes), desânimo e inapetência há uma semana. A mãe nega a presença de febre, vômitos, diarreia, disúria ou polaciúria em sua filha. A criança vinha previamente hígida até 3 semanas antes, quando apresentou lesões nas pernas, inicialmente pruriginosas, que evoluíram para crostas e cicatrizaram espontaneamente. O exame físico revela os seguintes resultados: peso: 30 kg (ganho de 3,5 kg em 1 mês); estatura: 1,26 m; FR: 35 irpm; FC: 110 bpm; temperatura axilar: 36,2 °C; PA: 125 x 80 mmHg (confirmada em 2 momentos da consulta). A criança está em regular estado geral, acianótica, anictérica, com mucosas úmidas e hipocoradas (1+/4+), pele com turgor e elasticidade preservados, enchimento capilar de 2 segundos, pulsos periféricos bem palpáveis e simétricos, com a presença de edema (2+/4+) e lesões cicatriciais em membros inferiores. Sua ausculta cardíaca está normal. A ausculta respiratória apresenta estertores crepitantes em bases pulmonares. Abdome globoso, discretamente distendido, com edema leve na parede abdominal, indolor à palpação, com fígado palpável a 4 cm do rebordo costal direito. A hipótese diagnóstica correta é:
Criança + edema + HAS + urina escura + infecção estreptocócica prévia → GNDA.
O quadro clínico de edema, hipertensão, oligúria e hematúria (urina escura) em uma criança, precedido por infecção de pele ou garganta por Streptococcus, é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA), caracterizando uma síndrome nefrítica. A história de impetigo ou faringite é fundamental.
A Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica em crianças, especialmente em pré-escolares e escolares. É uma doença imunomediada que ocorre após infecções por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes, seja faringite (após 1-2 semanas) ou piodermite (após 3-6 semanas), sendo um tópico crucial na pediatria e nefrologia pediátrica. A fisiopatologia da GNDA envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos, ativando o sistema complemento e causando inflamação glomerular. Clinicamente, manifesta-se pela tríade clássica de edema, hipertensão arterial e hematúria (macroscópica ou microscópica), além de oligúria e, por vezes, insuficiência renal aguda. O diagnóstico é suportado por história de infecção prévia, níveis elevados de ASLO ou anti-DNase B, e consumo de C3 sérico. O tratamento da GNDA é de suporte, visando controlar a hipertensão (diuréticos, anti-hipertensivos) e o edema (restrição hídrica e de sódio), além de tratar a infecção estreptocócica residual com antibióticos. O prognóstico é geralmente bom na maioria das crianças, com recuperação completa da função renal, mas o acompanhamento é importante para identificar possíveis complicações a longo prazo, como hipertensão persistente ou proteinúria.
Os principais achados clínicos da GNDA incluem edema (periorbital e em membros inferiores), hipertensão arterial, oligúria e hematúria (urina escura, cor de 'Coca-Cola'), que são os componentes clássicos da síndrome nefrítica.
A GNDA é uma complicação não supurativa de infecções prévias por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes (faringite ou impetigo). Geralmente, ocorre 1-3 semanas após faringite e 3-6 semanas após impetigo, devido à formação de imunocomplexos.
A GNDA (síndrome nefrítica) é marcada por hematúria, hipertensão e edema leve, com consumo de C3. A síndrome nefrótica, por outro lado, caracteriza-se por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema generalizado e hiperlipidemia, sem hematúria significativa ou hipertensão inicial.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo