UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023
Menino, 6 anos, apresenta quadro de dispneia associada a edema de membros inferiores e periorbitário, há cerca de 48h. Neste período, mãe informa que sua urina passou a apresentar coloração vermelha. Nega patologias prévias. Gestação e parto sem intercorrências. Exame físico: regular estado geral; hipocorado (1+/4+); hidratado; anictérico; acianótico; FR = 40irpm; ausculta respiratória com estertores crepitantes em ambas as bases; FC = 150bpm; PAS = 130x90mmHg; ritmo cardíaco regular em 2 tempos sem sopro; abdome distendido, flácido, com fígado palpável a 2cm do rebordo costal direito, baço impalpável; edema de membros inferiores (2+/4+) com cacifo; presença também de edema periorbitário; lesões de impetigo cicatriciais em membros inferiores. Considerando-se a principal hipótese diagnóstica, o tratamento melhor indicado é:
GNDA pós-estreptocócica: edema + hematúria + hipertensão + sobrecarga volêmica → Furosemida para controle.
O quadro clínico de GNDA pós-estreptocócica é caracterizado pela tríade de edema, hipertensão e hematúria, frequentemente precedido por infecção estreptocócica. A sobrecarga volêmica é comum e a furosemida é essencial para seu manejo, aliviando sintomas como dispneia e edema.
A Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica em crianças, geralmente ocorrendo 1 a 2 semanas após uma infecção de orofaringe ou 3 a 6 semanas após uma infecção de pele (impetigo) por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes. É fundamental para residentes reconhecer o quadro clínico típico para um manejo adequado. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos, levando a uma resposta inflamatória que resulta em dano glomerular, diminuição da filtração e retenção de sódio e água. O diagnóstico é clínico, laboratorial (ASLO, C3 baixo) e, em casos atípicos, biópsia renal. A suspeita deve surgir em crianças com edema, hematúria e hipertensão, especialmente com histórico de infecção prévia. O tratamento da GNDA é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão e a sobrecarga volêmica. Diuréticos como a furosemida são a primeira linha para o edema e a hipertensão. Em casos de hipertensão grave, podem ser necessários outros anti-hipertensivos. Antibióticos são indicados para erradicar a infecção estreptocócica residual, mas não alteram o curso da doença renal. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa na maioria dos casos pediátricos.
Os sinais clássicos incluem edema (periorbitário e de membros), hematúria (urina escura ou avermelhada), hipertensão arterial e, por vezes, oligúria. Pode haver história prévia de infecção de garganta ou pele.
A furosemida é um diurético de alça que atua na eliminação do excesso de volume extracelular, aliviando a sobrecarga volêmica manifestada por edema, dispneia e hipertensão, sintomas comuns na fase aguda da GNDA.
As principais complicações são encefalopatia hipertensiva, insuficiência cardíaca congestiva e insuficiência renal aguda. O controle rigoroso da pressão arterial e da sobrecarga volêmica com diuréticos e anti-hipertensivos é crucial para preveni-las.
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