GNDA em Crianças: Diagnóstico e Manejo da Encefalopatia Hipertensiva

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022

Enunciado

F.J. R., de sete anos de idade, vem ao pronto-socorro de pediatria com queixa de edema, oligúria, urina de cor escura, amaurose e hipertensão arterial. No caso desse paciente, qual a principal hipótese diagnóstica e conduta mais adequada para o caso?

Alternativas

  1. A) Síndrome nefrótica complicada por meningoencefalite por pneumococo. Deve-se internar o paciente, colher LCR, solicitar albumina sérica e proteinúria de 24h e iniciar ceftriaxona e furosemida na urgência.
  2. B) Glomerulonefrite pós-infecciosa complicada com encefalopatia hipertensiva. Deve-se internar, iniciar anti-hipertensivo venoso, diurético de alça e solicitar sumário de urina, função renal e C3.
  3. C) Infecção do trato urinário complicada, provavelmente por malformação renal. Colher urocultura, iniciar antibioticoterapia parenteral e solicitar USG renal.
  4. D) Glomerulonefrite pós-infecciosa não complicada. Acompanhamento ambulatorial. Deve-se solicitar C3, exames de urina para confirmar a hematúria e fazer penicilina benzatina.
  5. E) Injúria renal aguda pré-renal. Internar, solicitar função renal, fazer expansão volêmica com soro fisiológico e iniciar diurético de alça.

Pérola Clínica

Edema, oligúria, hematúria (urina escura) + HAS + amaurose em criança → GNDA com encefalopatia hipertensiva.

Resumo-Chave

A tríade edema, oligúria e hematúria macroscópica (urina escura) é clássica da Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica. A amaurose e hipertensão arterial grave indicam complicação grave, como encefalopatia hipertensiva, exigindo internação e tratamento anti-hipertensivo imediato.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-infecciosa é uma das causas mais comuns de insuficiência renal aguda em crianças, frequentemente precedida por infecção estreptocócica de orofaringe ou pele. O quadro clínico clássico inclui edema (geralmente periorbital e em membros inferiores), oligúria, urina de cor escura (hematúria macroscópica) e hipertensão arterial. A amaurose, neste contexto, é um sinal alarmante de encefalopatia hipertensiva, uma complicação grave que exige intervenção imediata. A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos renais, ativando o sistema complemento e causando inflamação e dano glomerular. Isso leva à diminuição da filtração glomerular, retenção de sódio e água, resultando em edema, oligúria e hipertensão. A hipertensão grave e de rápida instalação pode levar à encefalopatia hipertensiva, manifestada por cefaleia, vômitos, convulsões e alterações visuais como a amaurose. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com sumário de urina mostrando hematúria e proteinúria, elevação de ureia e creatinina, e níveis baixos de C3 sérico. A conduta mais adequada para este paciente é a internação hospitalar para monitorização e tratamento das complicações. O manejo da encefalopatia hipertensiva é uma emergência médica, exigindo o uso de anti-hipertensivos venosos para um controle rápido e seguro da pressão arterial, além de diuréticos de alça para combater a sobrecarga volêmica. A penicilina benzatina pode ser usada para erradicar o estreptococo, mas não altera o curso da glomerulonefrite já instalada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA)?

A GNDA tipicamente se manifesta com edema (especialmente periorbital), oligúria, urina escura (hematúria macroscópica), hipertensão arterial e, em casos graves, sintomas de sobrecarga volêmica e encefalopatia hipertensiva.

Qual a conduta inicial para uma criança com GNDA e encefalopatia hipertensiva?

A conduta inicial é a internação hospitalar, controle rigoroso da pressão arterial com anti-hipertensivos venosos (como nitroprussiato ou labetalol) e diuréticos de alça (furosemida) para manejar a sobrecarga volêmica e a hipertensão.

Quais exames laboratoriais são importantes para o diagnóstico e acompanhamento da GNDA?

Exames essenciais incluem sumário de urina (hematúria, proteinúria), função renal (ureia, creatinina), eletrólitos, complemento sérico C3 (tipicamente baixo na GNDA pós-estreptocócica) e ASLO para evidência de infecção estreptocócica prévia.

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