GNDA Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Manejo Urgente

UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020

Enunciado

Adolescente com história de cefaleia intensa há 2 dias, internado às pressas após convulsão tônico-clônica generalizada secundária a hipertensão arterial sistêmica. A mãe relatava episódios frequentes de amigdalite purulenta além de discreto edema de pés e urina avermelhada. Ao exame de admissão na UTI foi diagnosticado edema agudo de pulmão. Diante deste quadro é importante:

Alternativas

  1. A) Aumentar a oferta hídrica para evitar a insuficiência renal por hipovolemia.
  2. B) Iniciar reposição de albumina na tentativa de aumentar a pressão colodoismótica do plasma.
  3. C) Não usar furosemida para redução do quadro congestivo.
  4. D) Dosar albumina sérica e lipidograma.
  5. E) Dosar complemento sérico e ASLO.

Pérola Clínica

Adolescente com amigdalite prévia + hematúria + edema + HAS + convulsão → GNDA. Dosar ASLO e C3.

Resumo-Chave

O quadro clínico de amigdalite prévia, edema, urina avermelhada (hematúria), hipertensão arterial e complicações como convulsão e edema agudo de pulmão é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica. A dosagem de ASLO e complemento sérico (C3) é crucial para o diagnóstico.

Contexto Educacional

O caso clínico descreve um adolescente com um quadro clássico de síndrome nefrítica aguda, provavelmente Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica. A história de amigdalite purulenta prévia, seguida por edema, urina avermelhada (hematúria macroscópica), hipertensão arterial e complicações graves como convulsão (encefalopatia hipertensiva) e edema agudo de pulmão (sobrecarga volêmica) são achados altamente sugestivos. A GNDA é uma doença imunomediada que ocorre após uma infecção por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes, geralmente faringite ou piodermite. O período de latência entre a infecção e o início dos sintomas renais é tipicamente de 1 a 3 semanas para faringite e 3 a 6 semanas para infecções cutâneas. Diante deste quadro, a investigação diagnóstica é crucial. A dosagem de anticorpos antiestreptolisina O (ASLO) é importante para evidenciar infecção estreptocócica recente. Mais característico da GNDA é a queda transitória dos níveis séricos do complemento C3, que geralmente retorna ao normal em 6-8 semanas. Outros exames incluem urinálise (hematúria, proteinúria leve), creatinina e ureia séricas (avaliar função renal). O tratamento é de suporte, visando controlar a hipertensão e a sobrecarga volêmica, enquanto a doença renal geralmente se resolve espontaneamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA)?

Os sinais incluem edema (periorbital, membros inferiores), hipertensão arterial, hematúria (urina avermelhada ou cor de 'coca-cola'), oligúria e, em casos graves, sintomas neurológicos (cefaleia, convulsão) e congestão pulmonar.

Por que é importante dosar ASLO e complemento sérico (C3) em casos suspeitos de GNDA?

A dosagem de ASLO (antiestreptolisina O) indica infecção estreptocócica recente, enquanto a queda do complemento sérico C3 é um marcador característico da GNDA, auxiliando no diagnóstico e diferenciação de outras glomerulonefrites.

Qual a fisiopatologia da hipertensão arterial na GNDA?

A hipertensão na GNDA é multifatorial, resultante principalmente da retenção de sódio e água devido à disfunção glomerular, levando à expansão do volume intravascular e aumento da resistência vascular periférica.

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