GNDA Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Manejo Pediátrico

HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Criança do sexo masculino, 6 anos de idade, é atendida na emergência, apresentando edema, hipertensăo e hematúria. A mãe informa que, há cerca de 1 mês, ele foi tratado para Impetigo. Ao exame, encontra-se em regular estado geral e com edema periorbital. Diante do caso, a principal hipótese diagnóstica e o tratamento antimicrobiano incluem:

Alternativas

  1. A) glomerulonefrite difusa aguda e Cefalosporina de 4º geração.
  2. B) síndrome nefrótica e carbapenêmica.
  3. C) infecção do trato urinário e quinolonas.
  4. D) glomerulonefrite difusa aguda e penicilina.
  5. E) hidronefrose e aminoglicosídeo.

Pérola Clínica

Criança com edema, hipertensão, hematúria + história recente de impetigo → GNDA pós-estreptocócica. Tratar infecção residual com Penicilina.

Resumo-Chave

O quadro clínico de edema, hipertensão e hematúria em uma criança, com história prévia de impetigo (infecção de pele por Streptococcus pyogenes), é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica. O tratamento antimicrobiano, se houver infecção estreptocócica residual, é com penicilina, para erradicar a bactéria e prevenir a disseminação, embora não altere o curso da glomerulonefrite já instalada.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é uma das causas mais comuns de doença renal aguda em crianças, especialmente em idade escolar. É uma síndrome nefrítica aguda que ocorre após uma infecção por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes, seja faringite (1-2 semanas antes) ou impetigo (3-6 semanas antes). A importância clínica reside na necessidade de reconhecimento rápido para manejo das complicações. A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos, ativando o complemento e causando inflamação. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de edema (periorbital e membros inferiores), hipertensão arterial e hematúria (macroscópica, com urina cor de "Coca-Cola"). Exames laboratoriais podem mostrar elevação de ureia e creatinina, hipocomplementenemia (C3 baixo) e títulos elevados de antiestreptolisina O (ASLO) ou anti-DNAse B, dependendo da infecção prévia. O tratamento da GNDA é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão (com diuréticos e/ou anti-hipertensivos) e o edema (com restrição hídrica e de sódio, e diuréticos). Se houver evidência de infecção estreptocócica ativa ou residual, a antibioticoterapia com penicilina é indicada para erradicar a bactéria e prevenir a disseminação, mas não altera o curso da glomerulonefrite já instalada. O prognóstico é geralmente bom na maioria das crianças, com recuperação completa da função renal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da glomerulonefrite difusa aguda (GNDA) em crianças?

Os sinais e sintomas clássicos incluem edema (especialmente periorbital), hipertensão arterial, hematúria (macroscópica ou microscópica, urina escura), oligúria e, por vezes, dor lombar.

Qual a relação entre impetigo e GNDA?

O impetigo, uma infecção de pele causada por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A), pode preceder o desenvolvimento da GNDA em algumas semanas, por um mecanismo imunológico.

O tratamento com penicilina altera o curso da GNDA já estabelecida?

Não, a penicilina não altera o curso da GNDA já estabelecida, que é uma doença imunomediada. No entanto, é indicada para erradicar qualquer foco estreptocócico residual e prevenir a disseminação da infecção para outros indivíduos.

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