Glomerulonefrite Difusa Aguda: Diagnóstico e Marcadores

HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Escolar de seis anos, apresenta edema em face e região peri-orbitária e tosse seca há dois dias. Nega febre. Exame físico: bom estado geral, edema palpebral bilateral. PA: 140x98mmHg. ACV: ritmo cardíaco regular em 2 tempos, bulhas normofonéticas sem sopros. FC: 90bpm. AR: estertores subcrepitantes em bases. Abdome: normotenso, fígado: 2,5cm do RCD; edema de +/++ em membros inferiores, com pequenas lesões crostosas. Exames laboratoriais: urina: densidade de 1025, pH: 5,5, leucócitos: 4.000/mL; hemácias: 105.000/mL; raras bactérias, proteína “+”. Ureia: 75mg/ dL; creatinina: 1.4mg/dL. Raio X de tórax: aumento discreto da área cardíaca. A principal hipótese diagnóstica e o marcador laboratorial a ser solicitado são:

Alternativas

  1. A) infecção urinária / urocultura com teste de sensibilidade antibiótica
  2. B) glomerulonefrite difusa aguda / dosagem sérica de complemento
  3. C) hipertensão arterial essencial / atividade da renina plasmática
  4. D) síndrome nefrótica / proteinúria de vinte e quatro horas
  5. E) glomerulonefrite difusa aguda / solicitação de FAN

Pérola Clínica

Edema + Hipertensão + Hematúria + Ureia/Creatinina ↑ + C3 ↓ → Glomerulonefrite Difusa Aguda.

Resumo-Chave

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) é uma síndrome nefrítica comum em crianças, frequentemente pós-estreptocócica, manifestando-se com edema, hipertensão, hematúria e oligúria. A dosagem sérica do complemento (especialmente C3) é um marcador laboratorial chave, pois geralmente se encontra diminuída, auxiliando no diagnóstico e diferenciação de outras nefropatias.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) é uma das síndromes nefríticas mais comuns na infância, frequentemente decorrente de uma infecção prévia por Streptococcus pyogenes (pós-estreptocócica). A compreensão de sua apresentação clínica e dos marcadores laboratoriais é vital para o diagnóstico precoce e manejo adequado, prevenindo complicações graves como insuficiência renal aguda e encefalopatia hipertensiva. A doença geralmente se manifesta 1 a 3 semanas após uma faringite ou impetigo estreptocócico. O quadro clínico típico da GNDA inclui edema (especialmente facial e periorbitário, mais evidente pela manhã), hipertensão arterial (que pode ser grave), hematúria (macroscópica, com urina de cor 'coca-cola', ou microscópica), e oligúria. Exames laboratoriais revelam elevação de ureia e creatinina, indicando disfunção renal. A análise de urina mostra hematúria (com hemácias dismórficas e cilindros hemáticos) e proteinúria (geralmente não nefrótica). O marcador laboratorial mais importante para a GNDA pós-estreptocócica é a hipocomplementemia, com redução dos níveis séricos de C3, que tende a se normalizar em 6 a 8 semanas. O tratamento da GNDA é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão, o edema e a sobrecarga volêmica. Isso pode incluir restrição hídrica e de sódio, diuréticos e anti-hipertensivos. Antibióticos são indicados apenas para erradicar a infecção estreptocócica ativa, não alterando o curso da glomerulonefrite já estabelecida. O prognóstico é geralmente bom na infância, com recuperação completa na maioria dos casos. Para o residente, a capacidade de integrar os achados clínicos e laboratoriais para o diagnóstico da GNDA e diferenciá-la de outras nefropatias é uma competência fundamental na prática pediátrica e clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA)?

Os sinais clássicos da GNDA incluem edema (especialmente periorbitário e em membros inferiores), hipertensão arterial, hematúria (macroscópica ou microscópica, urina escura), oligúria e, em alguns casos, sintomas de sobrecarga volêmica como tosse e estertores pulmonares.

Por que a dosagem do complemento sérico é importante no diagnóstico da GNDA?

A dosagem do complemento sérico (especialmente C3) é crucial porque na GNDA pós-estreptocócica, o C3 está classicamente diminuído (hipocomplementemia) e se normaliza em 6-8 semanas. Isso ajuda a diferenciar a GNDA de outras glomerulonefrites que não cursam com hipocomplementemia ou que têm padrões diferentes de consumo de complemento.

Como diferenciar a GNDA de uma infecção urinária ou síndrome nefrótica?

A GNDA se diferencia da infecção urinária pela presença de hipertensão, edema e elevação de ureia/creatinina, além da hematúria glomerular (hemácias dismórficas). Da síndrome nefrótica, a GNDA se diferencia pela presença de hipertensão, hematúria, hipocomplementemia e proteinúria não nefrótica (geralmente < 3,5g/dia).

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