Glomerulonefrite Difusa Aguda: Diagnóstico e Marcadores

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2020

Enunciado

Escolar de sete anos apresenta edema em face, abdômen e membros inferiores progressivo há 4 dias, sem febre. Exame físico: bom estado geral, edema palpebral bilateral. PA: 130x98 mmHg. ACV: bulhas rítmicas normofonéticas, FC: 90bpm. AR: estertores subcrepitantes em bases. Abdômen: normotenso, fígado: 2,5 cm do RCD; edema de +/++ em membros inferiores, com pequenas lesões crostosas. Exames laboratoriais: urina: densidade de 1025, pH: 5,5, leucócitos: 3/ campo; hemácias: 95/ campo; raras bactérias, proteína ++. Ureia: 20mg/ dL; creatinina: 0.5mg/dL. Raio X de tórax: aumento discreto da área cardíaca. A hipótese diagnóstica e o marcador laboratorial mais fidedigno a ser solicitado são:

Alternativas

  1. A) Infecção urinária / urocultura com teste de sensibilidade antibiótica.
  2. B) Glomerulonefrite difusa aguda / dosagem sérica de complemento.
  3. C) Glomerulonefrite difusa aguda / ASLO.
  4. D) Síndrome nefrótica / proteinúria de vinte e quatro horas.
  5. E) Síndrome nefrótica / proteínas totais e frações.

Pérola Clínica

Edema, hipertensão, hematúria + hipocomplementemia → Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA), complemento sérico é o marcador mais fidedigno.

Resumo-Chave

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) é uma síndrome nefrítica caracterizada por edema, hipertensão e alterações urinárias. A dosagem sérica de complemento (C3 e C4) é o marcador mais fidedigno para o diagnóstico, pois a hipocomplementemia é um achado clássico e precoce.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) é uma síndrome nefrítica comum na infância, frequentemente desencadeada por infecção estreptocócica prévia (faringite ou piodermite). Caracteriza-se por uma resposta imune que leva à inflamação dos glomérulos renais, resultando em retenção de sódio e água, disfunção renal e manifestações clínicas típicas. A epidemiologia mostra maior incidência em crianças em idade escolar, geralmente 1 a 3 semanas após uma infecção de garganta ou 3 a 6 semanas após uma infecção de pele. O diagnóstico da GNDA é baseado na tríade clínica de edema (principalmente facial e de membros inferiores), hipertensão arterial e alterações urinárias (hematúria, que pode ser macroscópica ou microscópica, e proteinúria leve a moderada). Laboratorialmente, além da análise de urina, a dosagem sérica do complemento (C3 e C4) é crucial. A hipocomplementemia (C3 baixo) é um achado característico e precoce na GNDA pós-estreptocócica, refletindo a ativação do sistema complemento. O ASLO (antiestreptolisina O) pode estar elevado, mas não é tão fidedigno quanto o complemento, pois pode ser normal em infecções cutâneas ou já ter negativado. O tratamento da GNDA é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão (com diuréticos e anti-hipertensivos) e o edema (restrição hídrica e de sódio). A maioria dos casos tem bom prognóstico, com recuperação completa da função renal. No entanto, é importante monitorar a pressão arterial e a função renal, pois uma pequena porcentagem pode evoluir para doença renal crônica. O reconhecimento precoce dos sinais e a correta interpretação dos exames laboratoriais são essenciais para o manejo adequado e para diferenciar a GNDA de outras nefropatias.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA)?

Os principais achados clínicos da GNDA incluem edema (especialmente periorbital e em membros inferiores), hipertensão arterial, oligúria e urina com aspecto de 'coca-cola' (hematúria macroscópica). Sintomas inespecíficos como mal-estar e dor abdominal também podem ocorrer.

Por que a dosagem sérica de complemento é o marcador mais fidedigno na GNDA?

A dosagem sérica de complemento (especialmente C3) é o marcador mais fidedigno porque a GNDA pós-estreptocócica é caracterizada por ativação da via alternativa do complemento, levando a uma hipocomplementemia transitória. O C3 geralmente está baixo e retorna ao normal em 6-8 semanas, sendo um indicador direto da fisiopatologia.

Como diferenciar a GNDA da Síndrome Nefrótica?

A GNDA é uma síndrome nefrítica, caracterizada por edema, hipertensão, hematúria e proteinúria leve a moderada, com hipocomplementemia. A Síndrome Nefrótica, por outro lado, apresenta edema maciço, proteinúria maciça (>3,5g/24h), hipoalbuminemia, hiperlipidemia e, geralmente, sem hematúria ou hipertensão significativas, e com complemento sérico normal.

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