HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, 4 anos de idade, chega a emergência com edema em face e tosse há 2 dias. Ao exame: bom estado geral, edema bipalpebral bilateral, ausculta cardíaca normal, pressão arterial (PA) em membro superior direito = 130x90mmHg. Ausculta pulmonar com estertores crepitantes em base. Abdome normotenso, fígado a 2cm do rebordo costal direito. Pernas com edema e cacifo e pequenas lesões com crostas. Parcial urina densidade=1.025; pH= 5,5; leucócitos= 6.000/mL; hemácias= 55.000/mL; albumina= +; uréia= 20mg/dL; creatinina= 0,5mg/dL. O raio X de tórax demonstra aumento discreto da área cardíaca. Com base no exame físico e nos exames laboratoriais, qual a principal hipótese diagnóstica?
Criança com edema, hipertensão, hematúria e infecção prévia → GNDA pós-estreptocócica.
O quadro clínico de edema (facial e em membros), hipertensão arterial, e alterações urinárias (hematúria, proteinúria) em uma criança, frequentemente precedido por infecção de pele (lesões com crostas) ou orofaringe, é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica. Os estertores crepitantes e o aumento da área cardíaca podem indicar sobrecarga volêmica.
A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) é uma das causas mais comuns de doença renal aguda em crianças, especialmente a forma pós-estreptocócica. Ela se manifesta como uma síndrome nefrítica, caracterizada por edema, hipertensão arterial, hematúria (macroscópica ou microscópica) e proteinúria leve a moderada, frequentemente acompanhada de oligúria. A epidemiologia mostra que a GNDA pós-estreptocócica ocorre tipicamente 1 a 3 semanas após uma infecção de pele (impetigo) ou orofaringe por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes. A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos renais, ativando o sistema complemento e causando inflamação e dano glomerular. O diagnóstico é clínico, laboratorial (exame de urina com hematúria e proteinúria, elevação de ureia e creatinina, queda do C3 do complemento) e, por vezes, sorológico (ASLO ou anti-DNAse B elevados). A suspeita deve surgir em qualquer criança com edema súbito e hipertensão, especialmente se houver história de infecção recente. O tratamento da GNDA é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão e a sobrecarga volêmica. Isso inclui restrição hídrica e de sódio, diuréticos e anti-hipertensivos. Antibióticos são usados para erradicar a infecção estreptocócica residual, mas não alteram o curso da glomerulonefrite. O prognóstico é geralmente bom na maioria das crianças, com recuperação completa da função renal, embora uma pequena porcentagem possa evoluir para doença renal crônica.
Os principais sinais incluem edema (especialmente facial e periorbital), hipertensão arterial, oligúria, e urina escura (hematúria macroscópica ou microscópica). Pode haver também fadiga e mal-estar.
A GNDA é frequentemente uma complicação de infecções prévias por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A), seja na orofaringe ou na pele (impetigo), ocorrendo geralmente 1 a 3 semanas após a infecção.
A GNDA cursa com síndrome nefrítica (edema, hipertensão, hematúria, proteinúria leve), enquanto a síndrome nefrótica se manifesta com edema maciço, proteinúria maciça, hipoalbuminemia e hiperlipidemia, geralmente sem hipertensão ou hematúria.
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