Glomerulonefrite Difusa Aguda Pediátrica: Diagnóstico e Sinais

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020

Enunciado

Criança, 4 anos, sexo feminino, apresenta edema em face e tosse há dois dias, sem febre. Exame físico: bom estado geral, edema palpebral bilateral. PA: 135x95mmHg. Ausculta cardíaca: Bulhas rítmicas, normofonéticas FC: 98bpm. Ausculta respiratória: crepitações em bases bilateralmente. Abdome: edema de parede abdominal, fígado a 3 cm do rebordo costal direito; edema (+2/4+) em membros inferiores. Exames laboratoriais: Sumário de urina: pH: 5,5, densidade 1025, proteina: ++, hematúria: ++, leucócitos: 20/campo. Ureia: 20mg/dL, creatinina: 0,5mg/dL. A hipótese diagnóstica mais provável e o marcador laboratorial a ser solicitado são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Síndrome nefrótica/Proteinúria de 24 horas.
  2. B) Glomerulonefrite difusa aguda/dosagem sérica de complemento.
  3. C) Hipertensão arterial renovascular/Ultrassom doppler de artérias renais.
  4. D) Infecção do trato urinário/urinocultura com teste de sensibilidade antimicrobiana.

Pérola Clínica

Criança com edema, HAS, hematúria, proteinúria → GNDA; solicitar complemento sérico.

Resumo-Chave

O quadro clínico de edema, hipertensão arterial, hematúria e proteinúria em uma criança de 4 anos é altamente sugestivo de Síndrome Nefrítica Aguda, sendo a Glomerulonefrite Difusa Aguda Pós-estreptocócica (GNDA) a causa mais comum. A dosagem sérica do complemento (C3 e C4) é crucial para o diagnóstico, pois o C3 tipicamente se encontra reduzido na GNDA.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica em crianças, frequentemente ocorrendo após uma infecção por Estreptococo beta hemolítico do grupo A (EBHGA), como faringite ou piodermite. A doença é caracterizada por uma resposta imune que leva à inflamação dos glomérulos renais, resultando em disfunção renal aguda. É fundamental para o residente reconhecer o quadro clínico e iniciar a investigação adequada. A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos, ativando o sistema complemento e desencadeando uma resposta inflamatória. Clinicamente, manifesta-se com edema (periorbital e de membros inferiores), hipertensão arterial, hematúria (macroscópica ou microscópica) e proteinúria. A tosse e crepitações podem indicar sobrecarga volêmica e edema pulmonar. O diagnóstico é baseado na clínica, exames de urina (hematúria, proteinúria, cilindros hemáticos) e exames de sangue. A dosagem do complemento sérico (C3 e C4) é um marcador chave, com o C3 tipicamente baixo na GNDA pós-estreptocócica. O tratamento é de suporte, visando controlar a hipertensão, o edema e a sobrecarga volêmica, com restrição hídrica e de sódio, e diuréticos. Antibióticos são usados para erradicar a infecção estreptocócica, se ainda presente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) em crianças?

Os principais sinais clínicos da GNDA em crianças incluem edema (especialmente facial e palpebral), hipertensão arterial, hematúria (urina escura ou avermelhada), oligúria e, em alguns casos, sintomas inespecíficos como mal-estar e dor abdominal.

Por que a dosagem do complemento sérico é importante na GNDA?

A dosagem do complemento sérico (C3 e C4) é importante porque na GNDA pós-estreptocócica, o C3 está tipicamente reduzido e retorna ao normal em 6-8 semanas, auxiliando no diagnóstico e acompanhamento da doença.

Qual a diferença entre Síndrome Nefrítica e Síndrome Nefrótica?

A Síndrome Nefrítica é caracterizada por hematúria, hipertensão e edema, com proteinúria variável. Já a Síndrome Nefrótica se manifesta com proteinúria maciça (>50 mg/kg/dia), hipoalbuminemia, edema generalizado e hiperlipidemia, geralmente sem hematúria ou hipertensão significativas.

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