Glomerulonefrite Pós-estreptocócica: Diagnóstico e Manejo

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Escolar, sete anos, é levado ao consultório pelos pais com início agudo de urina de cor amarronzada, mal-estar inespecífico e edema periorbitário. O paciente é previamente hígido, sem dados relevantes na história familiar. A pressão arterial é de 135x80mmHg, não apresentando outras alterações no exame físico. Os pais apresentam exames laboratoriais com os seguintes resultados: sódio = 140mEq/L; potássio = 4,0mEq/L; creatinina = 0,4mg/dL. EAS com densidade urinária = 1.010; pH = 6,0; hemácias = 3+, proteínas = 1+, com > 100 hemácias por campo e presença de cilindros hemáticos. Dentre as alternativas a seguir, a próxima etapa mais apropriada no diagnóstico desse paciente é:

Alternativas

  1. A) coleta de urina de 24 horas para quantificação da proteinúria.
  2. B) biópsia renal.
  3. C) dosagem de complemento (C3, C4 e CH50).
  4. D) teste genético para doença renal.
  5. E) nível de imunoglobulina A sérica.

Pérola Clínica

Criança com hematúria, edema, hipertensão e cilindros hemáticos → GNDA → Dosar complemento (C3 ↓).

Resumo-Chave

O quadro clínico de uma criança com hematúria macroscópica, edema periorbitário, hipertensão e cilindros hemáticos no EAS é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA), sendo a pós-estreptocócica a causa mais comum. A dosagem dos níveis séricos de complemento (C3, C4 e CH50) é crucial para o diagnóstico, pois a GNDA tipicamente cursa com hipocomplementemia (C3 baixo).

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA), frequentemente pós-estreptocócica, é uma causa comum de doença renal aguda em crianças escolares. Caracteriza-se por um início abrupto de hematúria macroscópica (urina cor de 'Coca-Cola'), edema (especialmente periorbitário), hipertensão arterial e, por vezes, oligúria. A história de uma infecção estreptocócica prévia (faringite ou piodermite) é comum, mas nem sempre presente. O diagnóstico é fortemente sugerido pela tríade clínica e pelos achados urinários de hematúria glomerular (cilindros hemáticos, dismorfismo eritrocitário) e proteinúria. A próxima etapa diagnóstica mais apropriada é a dosagem dos níveis séricos de complemento (C3, C4 e CH50), pois a GNDA é classicamente associada à hipocomplementemia transitória, principalmente de C3, devido à ativação da via alternativa do complemento. O tratamento é de suporte, visando controlar a hipertensão e o edema. A biópsia renal é reservada para casos atípicos, com apresentação fulminante, ausência de hipocomplementemia ou não resolução da doença após o período esperado. A quantificação da proteinúria de 24 horas é útil para monitoramento, mas não para o diagnóstico inicial etiológico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da glomerulonefrite pós-estreptocócica aguda?

Os sinais clássicos incluem hematúria macroscópica (urina cor de 'Coca-Cola'), edema (especialmente periorbitário), hipertensão arterial e, em alguns casos, oligúria. Pode haver também mal-estar geral e fadiga.

Por que a dosagem de complemento (C3) é importante no diagnóstico da GNDA?

A GNDA pós-estreptocócica é caracterizada pela ativação da via alternativa do complemento, levando a uma redução transitória dos níveis séricos de C3. A hipocomplementemia de C3 é um achado diagnóstico chave e ajuda a diferenciar de outras glomerulonefrites.

Qual o papel da biópsia renal na investigação da glomerulonefrite em crianças?

A biópsia renal é geralmente reservada para casos atípicos de glomerulonefrite, como apresentação fulminante, ausência de hipocomplementemia, ou quando a doença não se resolve no tempo esperado, para identificar outras causas de lesão glomerular.

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