Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Sinais

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

PHS, 14 anos chega ao consultório com queixa de urina marrom há 3 dias. Você o acompanha desde bebê e nunca houve qualquer intercorrência significativa. É um adolescente ativo, que nega uso de drogas ou do início da atividade sexual. Há duas semanas ele teve febre e dor de garganta por dois dias, mas melhorou espontaneamente desde então. Na revisão de sistemas há apenas edema discreto de pálpebras bilateralmente. Ao exame físico, ele está afebril, PA 135 x 90 mmHg, ativo, sem toxemia, com edema periorbital discreto. O exame de urina mostra incontáveis hemácias 2+ para proteínas, com cilindros hemáticos ao microscópio. O exame que poderia auxiliar no esclarecimento do quadro de febre e dor de garganta de duas semanas atrás seria?

Alternativas

  1. A) ASLO
  2. B) Hemocultura
  3. C) Dosagem de complemento
  4. D) Painel de vírus respiratório

Pérola Clínica

Hematúria + edema + hipertensão + infecção prévia (faringite) + cilindros hemáticos → GNDA. ASLO confirma.

Resumo-Chave

O quadro clínico de hematúria macroscópica (urina marrom), edema, hipertensão e evidência de infecção estreptocócica prévia (faringite há 2 semanas) com achados urinários de proteinúria e cilindros hemáticos é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica. O ASLO é um marcador de infecção estreptocócica recente.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é uma das principais causas de síndrome nefrítica em crianças e adolescentes, sendo um tema de grande relevância na pediatria e nefrologia. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas, juntamente com a investigação laboratorial adequada, é fundamental para o manejo e prognóstico. O quadro clínico típico da GNDA pós-estreptocócica inclui hematúria macroscópica ("urina cor de Coca-Cola"), edema (frequentemente periorbital e facial), e hipertensão arterial. A história de uma infecção prévia por Streptococcus pyogenes (faringite ou piodermite) 1 a 3 semanas antes do início dos sintomas renais é um dado chave. No exame de urina, são encontrados hemácias dismórficas, proteinúria e, caracteristicamente, cilindros hemáticos. O diagnóstico é corroborado por exames laboratoriais que evidenciam infecção estreptocócica recente, como a elevação do título de antiestreptolisina O (ASLO) ou anti-DNase B. A dosagem do complemento sérico, especialmente C3, costuma estar reduzida. O tratamento é de suporte, visando controlar a hipertensão, o edema e as complicações, enquanto a doença renal geralmente se resolve espontaneamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica?

Os achados incluem hematúria (urina marrom ou avermelhada), edema (especialmente periorbital), hipertensão arterial e, em alguns casos, oligúria.

Qual o papel do ASLO no diagnóstico da GNDA?

O título de antiestreptolisina O (ASLO) é um marcador de infecção recente por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Sua elevação, juntamente com o quadro clínico, auxilia na confirmação etiológica da GNDA pós-estreptocócica.

Quais são os achados laboratoriais típicos da GNDA?

Além da elevação do ASLO, a análise de urina revela hematúria (discreta a macroscópica), proteinúria e presença de cilindros hemáticos. A dosagem de complemento (C3) geralmente mostra níveis reduzidos.

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