Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2015
Criança de 7 anos é trazida ao Posto de Saúde pela mãe que refere que há 1 dia seu filho vem apresentando urina de cor avermelhada, cefaleia e dificuldade para respirar. Tem história prévia de febre e dor de garganta que melhorou com remédio caseiro. Ao exame, encontra-se descorado, edemaciado, afebril, FC = 110, FR = 25, Sat02 = 88% (AA), PA = 130x85mmHg, ACV = RCR 2T sem sopro, AR = MV com roncos e diminuição em bases bilateralmente, Abdome globoso, RHA+. Qual o diagnóstico mais provável?
Criança com hematúria, edema, hipertensão + história de faringite recente → GNDA pós-estreptocócica.
O quadro clínico de uma criança com urina avermelhada (hematúria), edema, cefaleia e dificuldade respiratória (sugestivo de sobrecarga volêmica), associado à história prévia de dor de garganta, é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica. A hipertensão e a saturação baixa indicam comprometimento renal e pulmonar por retenção hídrica.
A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é uma doença renal inflamatória que afeta os glomérulos, sendo uma das principais causas de insuficiência renal aguda em crianças. É uma complicação não supurativa de infecções prévias por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes, como faringite ou impetigo, ocorrendo geralmente 1 a 3 semanas após a infecção inicial. Sua importância reside na necessidade de reconhecimento precoce e manejo adequado para evitar complicações graves. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos, desencadeando uma resposta inflamatória. Clinicamente, a GNDA se manifesta pela tríade clássica de hematúria (macroscópica ou microscópica), edema (inicialmente periorbital, depois generalizado) e hipertensão arterial. Outros sintomas incluem oligúria, fadiga, cefaleia e, em casos mais graves, sinais de sobrecarga volêmica como dispneia e insuficiência cardíaca congestiva. O diagnóstico é clínico, laboratorial (urina I com hematúria e proteinúria, ASLO elevado, complemento C3 baixo) e epidemiológico. O tratamento da GNDA é primariamente de suporte, focando no controle da hipertensão e do edema. Isso inclui restrição hídrica e de sódio, uso de diuréticos (furosemida) e, se necessário, anti-hipertensivos. Em casos de insuficiência renal grave ou sobrecarga volêmica refratária, a diálise pode ser indicada. O prognóstico é geralmente bom na maioria das crianças, com recuperação completa da função renal, mas um pequeno percentual pode evoluir para doença renal crônica. A erradicação do estreptococo com antibióticos é importante para prevenir a disseminação, mas não altera o curso da glomerulonefrite já instalada.
Os principais sinais e sintomas da GNDA incluem hematúria (urina escura, cor de "coca-cola"), edema (especialmente periorbital e em membros inferiores), hipertensão arterial, oligúria e, em casos mais graves, sintomas de sobrecarga volêmica como dispneia e cefaleia.
A GNDA pós-estreptocócica é uma complicação não supurativa de infecções prévias por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A), como faringite ou impetigo. Há um período de latência de 1 a 3 semanas após a infecção.
O tratamento da GNDA é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão (com diuréticos e anti-hipertensivos), o edema (restrição hídrica e de sódio, diuréticos) e as complicações da sobrecarga volêmica. Antibióticos podem ser usados para erradicar o estreptococo residual, embora não alterem o curso da glomerulonefrite.
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