Manejo da Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) em Pediatria

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 7 anos, é admitido na UPA com história de edema iniciado há 2 dias, urina rosa e oligúria. Mãe relata peso habitual de 22 kg. Ao exame, paciente em REG, hidratação limítrofe, taquipneia, afebril, corado. Apresenta edema. Peso à admissão, 24.8 kg. Pressão arterial: 140x85 mmHg. Pele: lesões crostosas em membros inferiores e diversas lesões cicatriciais. Diante da sua principal hipótese diagnóstica, qual tratamento melhor se adequa na abordagem inicial deste paciente, visando melhor desfecho do quadro?

Alternativas

  1. A) Pulsoterapia, com Metilprednisolona 30 mg/kg/dia.
  2. B) Prednisona na dose de 2 mg/kg/dia.
  3. C) Restrição hídrica (20 mL/kg/dia) e uso anti-hipertensivo, sendo Captopril o mais indicado.
  4. D) Antibioticoterapia com penicilina benzatina.
  5. E) Restrição hídrica de 20 mL/kg/dia e dieta assódica.

Pérola Clínica

Hematúria + Edema + HAS + Antecedente de piodermite/faringite = GNDA.

Resumo-Chave

O manejo da GNDA é focado no controle da sobrecarga volêmica. A restrição hídrica e a dieta hipossódica são os pilares iniciais para prevenir complicações como edema agudo de pulmão.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) é o protótipo da síndrome nefrítica na infância, ocorrendo tipicamente após uma infecção de orofaringe ou de pele por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos na membrana basal glomerular, ativando a cascata do complemento (especialmente a via alternativa, com queda de C3) e gerando um processo inflamatório que reduz a área de filtração. O manejo clínico é centrado no controle da retenção hidrossalina. A restrição hídrica e a dieta hipossódica são os pilares iniciais. Diuréticos de alça, como a furosemida, são frequentemente necessários para manejar a hipertensão e o edema. O prognóstico a longo prazo é excelente na maioria das crianças, com resolução espontânea da fase aguda em 1 a 2 semanas.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade clássica da GNDA?

A tríade clássica da Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) consiste em hematúria (frequentemente descrita como cor de chá ou Coca-Cola), edema (geralmente periorbitário e matutino) e hipertensão arterial. Esses sintomas refletem o processo inflamatório glomerular que leva à redução da taxa de filtração glomerular e consequente retenção de sódio e água. Em casos graves, o paciente pode evoluir com sinais de congestão volêmica sistêmica, como dispneia e edema agudo de pulmão, exigindo intervenção imediata com diuréticos de alça e restrição rigorosa de fluidos.

Quando indicar antibióticos na GNDA?

O uso de antibióticos na GNDA tem como objetivo principal a erradicação da cepa nefritogênica do Streptococcus pyogenes para prevenir a disseminação da bactéria para contatos próximos e interromper o estímulo antigênico, embora não altere o curso clínico da glomerulonefrite já instalada. A penicilina benzatina é a droga de escolha. É fundamental compreender que o tratamento da GNDA é essencialmente de suporte, focando nas complicações da síndrome nefrítica, como a hipertensão e a insuficiência renal aguda.

Como realizar a restrição hídrica?

A restrição hídrica na GNDA deve ser calculada com base nas perdas insensíveis (aproximadamente 400-600 mL/m²/dia) somadas ao volume da diurese residual. Na prática de emergência, uma abordagem comum é limitar a oferta a 20 mL/kg/dia ou apenas repor as perdas insensíveis até que ocorra a fase de diurese (fase de 'desencharque'). O monitoramento rigoroso do peso diário, balanço hídrico e níveis pressóricos é mandatório para ajustar a conduta e evitar a progressão para encefalopatia hipertensiva ou insuficiência cardíaca congestiva.

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