FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020
Escolar de sete anos, sexo feminino, apresenta edema em face e tosse há dois dias, sem febre. Exame físico: bom estado geral, edema palpebral bilateral, PA: 130x98mmHg ( P 96 ). ACV: bulhas rítmicas normofonéticas FC: 90bpm, AR: estertores subcrepitantes em bases. Abdome: normotenso, fígado: 2,5cm do RCD; edema de ++/+++ em membros inferiores, com pequenas lesões crostosas. Exames laboratoriais: urina; densidade de 1025, pH: 5,5, leucócitos: 30 por campo; hemácias: 95 por campo; raras bactérias, albumina ""+"". Ureia: 20mg/dL; creatinina: 0,5mg/dL. Raio X de tórax: aumento discreto da área cardíaca. A hipótese diagnóstica e o marcador laboratorial a ser solicitado são:
Escolar com edema, hipertensão, hematúria e proteinúria → GNDA; solicitar complemento sérico (C3).
O quadro clínico de edema (especialmente palpebral), hipertensão, e alterações urinárias como hematúria e proteinúria em uma criança escolar é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA). A dosagem do complemento sérico (C3) é um marcador crucial para o diagnóstico e acompanhamento, geralmente estando reduzido na fase aguda.
A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) é uma doença renal inflamatória que afeta os glomérulos, frequentemente desencadeada por uma infecção bacteriana prévia, como a faringoamigdalite ou piodermite por Streptococcus pyogenes. É mais comum em crianças em idade escolar e se manifesta classicamente pela tríade de edema (periorbital), hipertensão arterial e hematúria, muitas vezes acompanhada de proteinúria leve a moderada. O diagnóstico da GNDA é primariamente clínico, baseado nos sintomas e achados do exame físico, e confirmado por exames laboratoriais. A análise de urina revela hematúria (com dismorfismo eritrocitário) e proteinúria. O marcador laboratorial mais importante é a dosagem do complemento sérico C3, que se encontra reduzido na maioria dos casos de GNDA pós-estreptocócica, normalizando em 6 a 8 semanas. Outros exames incluem ASLO (antiestreptolisina O) e anti-DNase B, que indicam infecção estreptocócica recente. O tratamento da GNDA é de suporte, visando controlar a hipertensão, o edema e prevenir complicações. Inclui restrição hídrica e de sódio, diuréticos e anti-hipertensivos, se necessário. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa na maioria das crianças, embora um pequeno percentual possa evoluir para doença renal crônica. É fundamental o acompanhamento para monitorar a normalização do complemento e da função renal.
Os principais sinais e sintomas da GNDA incluem edema (especialmente palpebral), hipertensão arterial, hematúria (urina escura ou avermelhada) e, por vezes, oligúria e proteinúria.
A dosagem sérica do complemento C3 é um marcador laboratorial crucial para o diagnóstico de GNDA, pois geralmente se encontra reduzido na fase aguda da doença, especialmente na glomerulonefrite pós-estreptocócica.
A GNDA se diferencia da infecção urinária pela presença de hipertensão e edema generalizado, além da hematúria glomerular. Da síndrome nefrótica, diferencia-se pela presença de hematúria e hipertensão, e por uma proteinúria menos maciça.
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