UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020
Um escolar, 8 anos, trazido pela mãe à emergência devido a urina cor marrom e inchaço nos olhos. Há 8 dias iniciou edema periorbitário súbito bilateral matutino, evoluindo com dor abdominal difusa, oligúria e hematúria macroscópica. Nega episódios anteriores. Relata uso de amoxicilina devido a faringoamigdalite há 15 dias. Ao exame físico: Tax: 37,7°C, PA: 130×80 mmHg (p90 112×73 mmHg), hipertrofia e hiperemia de amigdalas (Brodsky grau 3), edema de região orbital bilateral, parede abdominal, suprapúbica, escrotal, pré-tibial. Ganho de 5 kg de peso em 10 dias. Com base na história clínica e exame físico, a sua principal hipótese diagnóstica é:
Escolar + infecção prévia + hematúria + edema + hipertensão = Glomerulonefrite Difusa Aguda.
O quadro clínico de um escolar com história recente de infecção de vias aéreas superiores, associado a edema (periorbitário), hematúria (urina cor marrom), oligúria e hipertensão arterial, é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA), classicamente pós-estreptocócica.
A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) é uma das causas mais comuns de doença renal aguda em crianças, sendo um tema recorrente em provas de residência médica. Geralmente, é uma complicação não supurativa de infecções por Streptococcus pyogenes, como faringoamigdalites ou piodermites, com um período de latência de 1 a 3 semanas. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas é crucial para o manejo adequado. A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos renais, ativando o sistema complemento e causando inflamação. Clinicamente, a GNDA se manifesta pela síndrome nefrítica, caracterizada por hematúria (macroscópica, com urina cor de 'coca-cola'), edema (inicialmente periorbitário, depois generalizado), hipertensão arterial e oligúria. O diagnóstico é clínico, laboratorial (queda do C3, ASLO elevado, uremia/creatinina) e, em casos atípicos, biópsia renal. O tratamento da GNDA é de suporte, visando controlar a hipertensão, o edema e a sobrecarga volêmica. Medidas como restrição hídrica e de sódio, diuréticos e anti-hipertensivos são frequentemente necessárias. O prognóstico em crianças é geralmente bom, com recuperação completa na maioria dos casos, embora uma pequena porcentagem possa evoluir para doença renal crônica. A prevenção de infecções estreptocócicas e o tratamento adequado são importantes, mas não previnem a GNDA uma vez que a infecção já ocorreu.
A GNDA se manifesta classicamente pela tríade de hematúria (urina escura), edema (especialmente periorbitário e em membros inferiores) e hipertensão arterial. Pode haver também oligúria e dor abdominal.
A GNDA pós-estreptocócica ocorre após uma infecção por Streptococcus pyogenes (faringoamigdalite ou piodermite). Os anticorpos formados contra o estreptococo reagem cruzadamente com antígenos glomerulares, causando inflamação renal.
A GNDA (síndrome nefrítica) cursa com hematúria, hipertensão e oligúria, enquanto a síndrome nefrótica se caracteriza por proteinúria maciça, hipoalbuminemia e edema intenso, geralmente sem hipertensão ou hematúria macroscópica.
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