Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Uma criança de 6 anos de idade é trazida ao Pronto-Socorro pela avó, com queixa de urina escura, inchaço no rosto e nos tornozelos, e uma redução na quantidade de urina nos últimos dois dias. Avó relata que a criança fez uso de antibióticos há 2 semanas, por um quadro febril. No exame físico, observa-se edema periorbital e de membros inferiores. A pressão arterial está elevada para a idade. Os exames laboratoriais revelam hematúria microscópica, proteinúria leve e pequeno aumento dos níveis de ureia e creatinina no sangue. O complemento C3 está diminuído.Qual é o diagnóstico mais provável para essa condição?
Criança com edema, HAS, hematúria, oligúria + infecção prévia + C3 ↓ → GNDA pós-estreptocócica.
A Glomerulonefrite Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA) é uma causa comum de síndrome nefrítica em crianças, tipicamente ocorrendo 1-3 semanas após uma infecção estreptocócica (faringite ou piodermite). Caracteriza-se por hematúria, edema, hipertensão e consumo de C3.
A Glomerulonefrite Aguda Pós-Estreptocócica (GNDA) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica em crianças, sendo uma complicação não supurativa de infecções por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Geralmente, manifesta-se 1 a 3 semanas após uma faringite estreptocócica ou 3 a 6 semanas após uma piodermite. É crucial reconhecer seus sinais para um manejo adequado. A fisiopatologia envolve a formação de complexos imunes que se depositam nos glomérulos renais, ativando o sistema complemento e causando inflamação. Clinicamente, a GNDA se apresenta com a tríade clássica da síndrome nefrítica: hematúria (macroscópica ou microscópica, resultando em urina "cor de Coca-Cola"), edema (periorbital e de membros inferiores) e hipertensão arterial. Outros achados incluem oligúria e, em casos mais graves, insuficiência renal aguda. Laboratorialmente, é comum encontrar elevação de ureia e creatinina, proteinúria leve a moderada e, um achado característico, a diminuição dos níveis séricos de C3, que se normaliza em 6-8 semanas. O tratamento da GNDA é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão (com diuréticos e anti-hipertensivos) e o edema (com restrição hídrica e de sódio). Antibióticos podem ser usados para erradicar a infecção estreptocócica residual, mas não alteram o curso da glomerulonefrite. O prognóstico é geralmente bom em crianças, com recuperação completa na maioria dos casos, embora um pequeno percentual possa evoluir para doença renal crônica.
Os principais sinais incluem hematúria (urina escura), edema (especialmente periorbital e de membros inferiores), hipertensão arterial, oligúria e, por vezes, dor abdominal ou lombar.
O complemento C3 está tipicamente diminuído na GNDA pós-estreptocócica, refletindo o consumo da via alternativa do complemento. É um achado importante para o diagnóstico e diferenciação de outras glomerulonefrites.
A GNDA ocorre como uma complicação imunológica tardia (1-3 semanas) de uma infecção prévia por Streptococcus pyogenes (faringite ou piodermite), onde anticorpos e complexos imunes se depositam nos glomérulos.
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