FJG - Fundação João Goulart / SMS Rio de Janeiro — Prova 2020
São dados laboratoriais característicos da glomerulonefrite aguda pós-estreptocócica:
GNAPE: proteinúria leve a moderada, cilindro hemático na urina, C3 ↓ e ASLO ↑.
A Glomerulonefrite Aguda Pós-estreptocócica (GNAPE) é uma complicação renal tardia de infecções estreptocócicas. Laboratorialmente, caracteriza-se por proteinúria leve a moderada, hematúria (com cilindros hemáticos) e consumo do complemento (C3 diminuído), além de ASLO elevado ou anti-DNase B.
A Glomerulonefrite Aguda Pós-estreptocócica (GNAPE) é uma das glomerulonefrites mais comuns em crianças, embora possa afetar adultos. É uma doença imunomediada que ocorre após uma infecção por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A), seja faringite (após 1-2 semanas) ou piodermite (após 3-6 semanas). A importância clínica reside no reconhecimento precoce para manejo sintomático e prevenção de complicações. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos contendo antígenos estreptocócicos nas membranas basais glomerulares, ativando o sistema complemento e causando inflamação. Os dados laboratoriais característicos incluem proteinúria leve a moderada (geralmente < 3,5 g/dia), hematúria com cilindros hemáticos no exame de urina, e níveis séricos de C3 diminuídos devido ao seu consumo. O C4 geralmente é normal. Marcadores de infecção estreptocócica recente, como ASLO ou anti-DNase B, são frequentemente elevados. O tratamento da GNAPE é principalmente de suporte, visando controlar os sintomas como edema, hipertensão e sobrecarga volêmica. Isso pode incluir restrição de sal e líquidos, diuréticos e anti-hipertensivos. Antibióticos são usados para erradicar a infecção estreptocócica residual, mas não alteram o curso da glomerulonefrite. O prognóstico é geralmente bom em crianças, com recuperação completa da função renal na maioria dos casos, embora uma pequena porcentagem possa evoluir para doença renal crônica.
Os achados urinários incluem hematúria macroscópica ou microscópica, com a presença de cilindros hemáticos, que são patognomônicos de sangramento glomerular. A proteinúria é geralmente leve a moderada, subnefrótica.
Na GNAPE, há um consumo do complemento, resultando em níveis séricos de C3 diminuídos. O C4 geralmente permanece normal. Os níveis de C3 tendem a se normalizar em 6 a 8 semanas após o início da doença.
O título de antiestreptolisina O (ASLO) elevado indica uma infecção estreptocócica prévia, sendo um marcador útil para confirmar a etiologia pós-estreptocócica da glomerulonefrite. Outros marcadores incluem anti-DNase B.
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