FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021
Paciente com 14 anos de idade, fisicamente ativo, apresenta edema periorbitário e hipertensão discreta, tendo desenvolvido urina com coloração de 'chá-preto', revelando ao exame presença de cilindros hemáticos ao microscópio. No exame de sangue, verificou-se dosagem de C3 baixa e C4 normal. O nível de antiestreptolisina-O estava normal, e de antidesoxirribonuclease-B estava aumentado. O provável diagnóstico é:
Edema, hipertensão, hematúria (chá-preto), cilindros hemáticos, C3 baixo/C4 normal, anti-DNase B ↑ (mesmo com ASO normal) → GNA pós-estreptocócica.
A Glomerulonefrite Aguda Pós-Estreptocócica (GNA) é uma síndrome nefrítica caracterizada por edema, hipertensão e hematúria macroscópica (urina cor de chá-preto), com evidência de infecção estreptocócica prévia. A queda do C3 com C4 normal e a elevação da anti-DNase B, mesmo com ASO normal, são marcadores diagnósticos importantes.
A Glomerulonefrite Aguda Pós-Estreptocócica (GNA) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica em crianças e adolescentes, geralmente ocorrendo após uma infecção por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A), seja faringite (com latência de 1-2 semanas) ou piodermite (com latência de 3-6 semanas). A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos contendo antígenos estreptocócicos na membrana basal glomerular, ativando o sistema complemento e induzindo uma resposta inflamatória que danifica os glomérulos. O quadro clínico típico da GNA inclui edema (especialmente facial e periorbitário), hipertensão arterial, oligúria e hematúria macroscópica, que confere à urina uma coloração escura, semelhante a "chá-preto" ou "coca-cola". Ao exame microscópico da urina, são encontrados eritrócitos dismórficos e cilindros hemáticos, indicativos de lesão glomerular. O diagnóstico é corroborado por achados laboratoriais como a diminuição transitória do C3 sérico (com C4 normal), e a elevação dos títulos de anticorpos antiestreptocócicos, como ASO e, principalmente, anti-DNase B, que é mais sensível para infecções cutâneas. O tratamento da GNA é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão, o edema e a sobrecarga hídrica. Isso pode incluir restrição de sal e líquidos, diuréticos e anti-hipertensivos. Antibióticos são indicados apenas para erradicar a infecção estreptocócica residual, não alterando o curso da glomerulonefrite. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa na maioria dos casos, embora uma pequena porcentagem possa evoluir para doença renal crônica. É crucial o acompanhamento para monitorar a função renal e a normalização do complemento.
A GNA se manifesta classicamente como uma síndrome nefrítica, caracterizada por edema (especialmente periorbitário), hipertensão arterial, oligúria e hematúria macroscópica, que confere à urina uma coloração de 'chá-preto' ou 'coca-cola'. Pode haver também proteinúria leve a moderada.
Os exames laboratoriais incluem a análise de urina, que revela hematúria com dismorfismo eritrocitário e cilindros hemáticos. No sangue, é comum encontrar níveis baixos de C3 e C4 normal (padrão de consumo de complemento da via alternativa). A evidência de infecção estreptocócica prévia é dada pela elevação dos títulos de antiestreptolisina-O (ASO) ou, mais sensivelmente, de antidesoxirribonuclease-B (anti-DNase B).
A GNA se diferencia pela história de infecção estreptocócica prévia (faringite ou piodermite), o padrão de consumo de complemento (C3 baixo, C4 normal) e a presença de marcadores de infecção estreptocócica. A Nefropatia por IgA, por exemplo, geralmente tem complemento normal e hematúria que coincide com a infecção de vias aéreas superiores, sem latência.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo