UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022
Homem, 25 anos, que relata uso abusivo de heroína, é admitido com edema generalizado, urina espumosa e hipertensão arterial sistêmica. Exames laboratoriais: proteinúria = 5g/24h; dislipidemia; hipoalbuminemia; creatinina = 3mg/dL. Urinálise: proteinúria e hematúria. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Uso de heroína + Síndrome Nefrótica + IRA → Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF).
A glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF) é uma causa comum de síndrome nefrótica em adultos, especialmente associada a fatores de risco como uso de drogas intravenosas (heroína). A apresentação com proteinúria maciça, edema, hipoalbuminemia, dislipidemia e disfunção renal aguda é característica da síndrome nefrótica, e a GESF é a hipótese mais provável neste contexto.
A Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF) é uma das principais causas de síndrome nefrótica primária e secundária em adultos, sendo crucial para residentes reconhecer seus fatores etiológicos e apresentação clínica. Caracteriza-se por esclerose de segmentos de alguns glomérulos, levando à proteinúria maciça, edema, hipoalbuminemia e dislipidemia, que são os pilares da síndrome nefrótica. A progressão para doença renal crônica é comum, especialmente em casos não tratados ou refratários. O diagnóstico da GESF é suspeitado clinicamente pela síndrome nefrótica, mas a confirmação requer biópsia renal, que revela lesões segmentares e focais nos glomérulos. Fatores de risco secundários incluem infecções virais (HIV, parvovírus B19), obesidade, refluxo vesicoureteral, e uso de drogas intravenosas como a heroína, como no caso apresentado. A presença de hematúria e hipertensão também pode acompanhar a GESF, indicando maior gravidade ou progressão da doença. O tratamento da GESF visa reduzir a proteinúria e preservar a função renal, frequentemente envolvendo corticosteroides e outros imunossupressores, além de medidas de suporte como inibidores da ECA/BRA para controle da proteinúria e da hipertensão. O prognóstico varia amplamente, com alguns pacientes respondendo bem à terapia e outros progredindo para doença renal terminal, necessitando de diálise ou transplante renal. A identificação precoce e o manejo agressivo são essenciais para melhorar os desfechos.
A síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria maciça (>3,5g/24h), hipoalbuminemia, edema generalizado, dislipidemia e, por vezes, lipidúria. Pode haver também hipertensão e disfunção renal.
O uso de heroína é um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento de GESF, conhecida como nefropatia associada à heroína. O mecanismo exato não é totalmente compreendido, mas envolve fatores tóxicos e imunológicos.
A biópsia renal é fundamental para confirmar o diagnóstico de GESF, diferenciar de outras glomerulopatias e avaliar o grau de lesão renal. Ela guia o tratamento e o prognóstico do paciente.
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