SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2015
Paciente, 42 anos, acompanhado no ambulatório de endocrinologia para tratamento da obesidade (IMC: 52) com queixas de edema periférico há 4 meses, normotenso (PA: 110 x 70), realizou exames de rotina: glicemia: 80; hemoglobina glicada: 5,4; creatinina: 2,5; ureia: 70; proteinúria de 24h: 8,2 gramas; SU: proteínas (++++). Qual o mais provável diagnóstico?
Obesidade mórbida + síndrome nefrótica + IR = GESF (Glomeruloesclerose Focal e Segmentar) é diagnóstico provável.
A Glomeruloesclerose Focal e Segmentar (GESF) é uma causa comum de síndrome nefrótica em adultos, especialmente em pacientes com obesidade mórbida, e pode cursar com insuficiência renal. A ausência de diabetes e a proteinúria maciça direcionam o diagnóstico.
A Glomeruloesclerose Focal e Segmentar (GESF) é uma das glomerulopatias primárias mais comuns que levam à síndrome nefrótica em adultos e é uma causa significativa de doença renal terminal. Sua prevalência tem aumentado, em parte, devido à epidemia global de obesidade, que é um fator de risco bem estabelecido para a forma secundária da doença. É crucial para o residente reconhecer o quadro clínico de síndrome nefrótica (edema, proteinúria maciça, hipoalbuminemia) e considerar a GESF, especialmente em pacientes com obesidade e disfunção renal, mesmo na ausência de diabetes. A fisiopatologia da GESF associada à obesidade envolve alterações hemodinâmicas renais, como hiperfiltração glomerular, e fatores metabólicos que promovem a esclerose dos glomérulos. O diagnóstico definitivo é feito por biópsia renal, que revela esclerose segmentar e focal de alguns glomérulos. A suspeita clínica é fundamental, especialmente quando há proteinúria significativa e insuficiência renal progressiva em um paciente sem outras causas óbvias. O tratamento da GESF visa reduzir a proteinúria, controlar a pressão arterial e retardar a progressão da doença renal. Isso geralmente envolve inibidores da ECA ou bloqueadores do receptor de angiotensina, diuréticos para o edema e, em alguns casos, imunossupressores. A perda de peso em pacientes obesos é uma intervenção importante. O prognóstico varia, mas a doença pode progredir para doença renal terminal, necessitando de diálise ou transplante renal. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são essenciais para otimizar os resultados.
A GESF frequentemente se manifesta como síndrome nefrótica, com edema periférico, proteinúria maciça (>3,5g/24h), hipoalbuminemia e hiperlipidemia. Pode evoluir para insuficiência renal crônica, apresentando aumento da creatinina e ureia.
A obesidade mórbida é um fator de risco importante para o desenvolvimento de GESF, conhecida como nefropatia associada à obesidade. O aumento da massa corporal e as alterações hemodinâmicas renais contribuem para a lesão glomerular.
A diferenciação é feita pela avaliação do status glicêmico. Se o paciente não tem diabetes (glicemia e HbA1c normais), a nefropatia diabética é excluída. A biópsia renal é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de GESF e excluir outras glomerulopatias.
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