CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
Com relação ao glioma do nervo óptico, é correto afirmar que:
Glioma anterior → Proptose + Anastomoses optociliares + Dobras de coroide; Glioma posterior → Atrofia óptica.
Lesões próximas à cabeça do nervo óptico causam sinais mecânicos e vasculares locais, enquanto lesões quiasmáticas ou intracranianas manifestam-se primariamente por atrofia óptica e perda visual.
O glioma do nervo óptico é o tumor primário mais comum do nervo óptico, ocorrendo predominantemente na infância. A compreensão da anatomia patológica e da localização da lesão é crucial para o diagnóstico diferencial. Lesões que comprimem o nervo em seu trajeto orbital anterior geram a tríade de atrofia óptica, vasos de derivação optociliares e proptose. Clinicamente, a conduta varia desde a observação em casos estáveis (especialmente em pacientes com NF1) até quimioterapia ou radioterapia em casos progressivos. A cirurgia é reservada para casos de proptose severa em olhos sem visão ou quando há risco de extensão quiasmática iminente, pois o procedimento cirúrgico em si não visa a melhora da acuidade visual, mas sim o controle de massa e estética.
Quando o glioma está localizado anteriormente, próximo à cabeça do nervo óptico, ele exerce efeito de massa e compressão vascular. Os sinais clássicos incluem proptose (protrusão do globo ocular), dobras de coroide (devido à compressão posterior do globo) e a formação de anastomoses optociliares. Estas últimas são vasos colaterais que desviam o sangue da circulação retiniana para a coroidiana em resposta à obstrução crônica do fluxo venoso central da retina pelo tumor.
A localização é determinante para o achado fundoscópico. Lesões anteriores tendem a causar edema de disco inicial seguido de atrofia e vasos colaterais. Já lesões posteriores, que afetam o quiasma óptico ou a porção intracraniana do nervo, raramente apresentam edema de disco; o sinal oftalmoscópico mais prevalente e característico nessas localizações é a atrofia óptica primária, resultante da degeneração retrógrada das fibras nervosas.
Existe uma forte associação epidemiológica entre o glioma do nervo óptico e a Neurofibromatose tipo 1 (NF1). Aproximadamente 15% a 30% dos pacientes com NF1 desenvolvem gliomas de via óptica. Nestes pacientes, os tumores costumam ser astrocitomas pilocíticos de baixo grau e podem ter um curso clínico mais indolente do que os casos esporádicos, muitas vezes exigindo apenas monitoramento seriado em vez de intervenção agressiva imediata.
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