CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Sobre o glioma de nervo óptico, é correto afirmar:
Glioma de nervo óptico bilateral → Patognomônico de Neurofibromatose tipo 1 (NF1).
Gliomas de nervo óptico são astrocitomas pilocíticos benignos (Grau I da OMS), típicos da infância, com forte associação genética à NF1 em casos bilaterais.
O glioma de nervo óptico representa o tumor primário mais comum do nervo óptico na infância. Fisiopatologicamente, a maioria é classificada como astrocitoma pilocítico juvenil. A conduta clínica é frequentemente conservadora ('watch and wait') devido à natureza benigna e ao crescimento lento, especialmente em pacientes com NF1. A intervenção com quimioterapia ou radioterapia é reservada para casos com progressão documentada da perda visual ou avanço radiológico significativo. A cirurgia é evitada para preservar a visão, sendo indicada apenas em casos de proptose severa com exposição corneana ou dor em um olho já amaurótico.
O glioma de nervo óptico, geralmente um astrocitoma pilocítico de baixo grau, ocorre em cerca de 15% a 20% dos pacientes com Neurofibromatose tipo 1 (NF1). A característica mais marcante para provas de residência é que a apresentação bilateral do tumor é considerada virtualmente patognomônica da NF1. Nesses pacientes, o tumor tende a ter um curso clínico mais indolente em comparação com os casos esporádicos. O rastreamento oftalmológico anual em crianças com diagnóstico de NF1 é fundamental para a detecção precoce, visando preservar a função visual e monitorar a progressão tumoral ao longo das vias ópticas.
A Ressonância Magnética (RM) é o padrão-ouro para o diagnóstico e monitoramento. Os achados típicos incluem o espessamento fusiforme do nervo óptico, que pode apresentar tortuosidade. Na RM, observa-se sinal isointenso ou hipointenso em T1 e hiperintenso em T2 em relação à substância cinzenta. A captação de contraste (gadolínio) é variável, podendo ser intensa ou mínima, o que diferencia este tumor de outros processos inflamatórios. A tomografia computadorizada pode mostrar o alargamento do canal óptico, mas é menos sensível para avaliar a extensão intracraniana para o quiasma ou tratos ópticos.
A apresentação clínica clássica envolve a tríade de perda visual progressiva, proptose axial (não pulsátil) e atrofia óptica. Em casos unilaterais, o Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR) é um achado clínico crucial e frequente, indicando comprometimento do nervo óptico. Em crianças pequenas, o diagnóstico pode ser desafiador, manifestando-se como nistagmo ou estrabismo sensorial. Se o tumor se estender ao quiasma óptico, pode haver perda de campo visual bitemporal e, em casos avançados, disfunção hipotalâmica ou hidrocefalia obstrutiva, dependendo da compressão de estruturas adjacentes.
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