CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2019
Todas as fotos abaixo são do mesmo paciente. É mais provável que a lesão identificada na primeira foto seja:
Glioma óptico → espessamento fusiforme do nervo e forte associação com Neurofibromatose tipo 1.
O glioma de nervo óptico é um astrocitoma de baixo grau, comum na infância, que se apresenta radiologicamente como um alargamento fusiforme intrínseco do nervo.
O glioma de nervo óptico é classificado pela OMS como um astrocitoma pilocítico (Grau I). É a neoplasia primária mais comum do nervo óptico na infância. Clinicamente, os pacientes apresentam perda visual insidiosa, discromatopsia e, eventualmente, proptose axial não pulsátil. O diagnóstico precoce é vital, especialmente para monitorar a progressão para o quiasma, o que pode comprometer o campo visual contralateral e funções hipotalâmicas. O manejo varia desde a observação rigorosa em casos estáveis (comuns na NF1) até quimioterapia ou radioterapia em casos progressivos. A cirurgia é reservada para casos de proptose severa em olhos sem potencial visual ou quando há risco iminente de extensão intracraniana que ameace o quiasma, visando a preservação da visão do olho contralateral.
Radiologicamente, o glioma do nervo óptico manifesta-se como um alargamento fusiforme e regular do nervo óptico. Na Tomografia Computadorizada (TC) ou Ressonância Magnética (RM), a lesão aparece como uma massa intrínseca que pode causar tortuosidade do nervo (aspecto em 'kinking'). Diferente do meningioma, ele não costuma apresentar calcificações grosseiras ou o sinal do trilho de trem, sendo a RM o padrão-ouro para avaliar a extensão posterior em direção ao quiasma óptico.
Existe uma associação extremamente forte: cerca de 15% a 30% dos pacientes com NF1 desenvolverão gliomas de via óptica. Por outro lado, uma proporção significativa de crianças diagnosticadas com glioma óptico apresenta critérios para NF1. Nestes pacientes, os gliomas tendem a ser mais indolentes e muitas vezes são diagnosticados em exames de triagem, mesmo antes de causarem perda visual significativa ou proptose.
A diferenciação é baseada na idade e na imagem. O glioma ocorre predominantemente em crianças e causa espessamento do próprio parênquima nervoso (fusiforme). O meningioma da bainha ocorre tipicamente em mulheres de meia-idade, origina-se da aracnoide (extínseco ao nervo) e exibe o sinal do 'trilho de trem' na imagem contrastada, onde a bainha realça e o nervo central permanece hipodenso.
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