USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Mulher de 58 anos, tabagista, apresentou há uma semana crise tônico-clônica generalizada inédita, sendo levada ao Pronto Atendimento onde recebeu diazepam endovenoso, que faz cessar a crise, e prescrição de fenitoína 100 mg de 12 em 12 horas, além de solicitação a realizar exame de ressonância magnética (RM) do encéfalo. Retorna ao ambulatório cor resultado do exame (em anexo), relatando ter tido nova crise semelhante no dia anterior. Qual é o diagnóstico mais provável?
Mulher >50a, tabagista, crise epiléptica inédita + lesão cerebral = suspeitar Glioblastoma.
Em pacientes adultos, especialmente tabagistas e com idade avançada, uma crise tônico-clônica generalizada de início recente deve levantar a forte suspeita de uma lesão cerebral estrutural, sendo o glioblastoma multiforme o tumor primário mais comum e agressivo nessa faixa etária.
O glioblastoma multiforme (GBM) é o tumor cerebral primário mais comum e agressivo em adultos, com uma incidência que aumenta com a idade, sendo mais frequente em pacientes acima de 50 anos. Sua apresentação clínica é variada, mas crises epilépticas de início recente são um sintoma comum, especialmente em tumores de alto grau. O tabagismo, embora não seja um fator de risco direto para GBM como é para outros cânceres, pode estar associado a um risco aumentado de neoplasias em geral. O diagnóstico do GBM é fortemente sugerido pela ressonância magnética (RM) do encéfalo, que tipicamente mostra uma lesão heterogênea, com realce anelar após contraste, necrose central e edema vasogênico significativo. A confirmação diagnóstica é histopatológica, geralmente obtida por biópsia ou ressecção cirúrgica. A rápida progressão dos sintomas e a recorrência das crises, mesmo sob medicação, são indicativos de uma lesão agressiva. O tratamento do GBM é multimodal, envolvendo ressecção cirúrgica máxima segura, radioterapia e quimioterapia com temozolomida. O prognóstico é reservado devido à natureza infiltrativa e agressiva do tumor. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais de alerta de tumores cerebrais em adultos, priorizar a investigação por imagem e iniciar o manejo adequado das crises epilépticas, encaminhando o paciente para avaliação neurocirúrgica e oncológica.
Os sintomas do glioblastoma são variados e dependem da localização do tumor, mas podem incluir cefaleia, náuseas, vômitos, déficits neurológicos focais, alterações de personalidade e crises epilépticas, que são uma apresentação comum.
Em uma paciente de 58 anos, tabagista, com crise tônico-clônica generalizada inédita e nova crise, o glioblastoma é o tumor cerebral primário mais comum e agressivo em adultos, frequentemente apresentando-se com convulsões de início recente.
A ressonância magnética (RM) do encéfalo é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico do glioblastoma, revelando uma massa heterogênea, com realce anelar, edema peritumoral significativo e áreas de necrose, características que o diferenciam de outros tumores.
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