USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Paciente de 76 anos, previamente hipertensa, é admitida no pronto atendimento com história de crise convulsiva inédita há 2 horas. Familiares negam episódios prévios, assim como referem que a crise convulsiva foi autolimitada, com ocorrência de liberação esfincteriana e abalos musculares tônico clônicos. Ao exame: confusa e sonolenta (Glasgow 13), pupilas isocóricas e bradirreagentes e hemiparesia dimidiada à esquerda. Solicitada tomografia computadorizada de crânio sem e com administração de contraste endovenoso (vide figuras A e B, respectivamente). Tomografia computadorizada de crânio sem e com contraste. Qual o diagnóstico mais provável?
Crise convulsiva inédita em idoso + déficit focal + lesão expansiva cerebral com realce heterogêneo/em anel na TC = suspeitar de glioblastoma.
Em pacientes idosos, uma crise convulsiva de início recente, especialmente associada a déficits neurológicos focais (como hemiparesia pós-ictal), deve levantar a suspeita de uma lesão estrutural intracraniana. A tomografia com contraste que mostra uma lesão expansiva com realce heterogêneo ou em anel é altamente sugestiva de um tumor cerebral primário agressivo, como o glioblastoma.
O glioblastoma multiforme (GBM) é o tumor cerebral primário mais comum e agressivo em adultos, representando cerca de 15% de todos os tumores intracranianos e 50% dos gliomas. Sua incidência aumenta com a idade, sendo mais frequente em idosos, e é caracterizado por um prognóstico sombrio devido à sua natureza infiltrativa e alta taxa de recorrência. A apresentação clínica do GBM é variada e depende da localização e tamanho do tumor. Crises convulsivas de início recente, déficits neurológicos focais progressivos (como hemiparesia, afasia), cefaleia e alterações cognitivas são sintomas comuns. Em pacientes idosos, uma crise convulsiva inédita deve sempre levantar a suspeita de uma lesão estrutural subjacente. O diagnóstico é feito por neuroimagem, tipicamente tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) com contraste. Na TC, o GBM classicamente se apresenta como uma lesão expansiva heterogênea, com necrose central, edema perilesional significativo e realce em anel irregular após contraste. A biópsia ou ressecção cirúrgica é necessária para a confirmação histopatológica. O tratamento envolve cirurgia, radioterapia e quimioterapia (temozolomida), mas mesmo com tratamento multimodal, o prognóstico permanece desafiador.
Na TC, o glioblastoma geralmente se apresenta como uma lesão expansiva heterogênea, com áreas de necrose central (hipodensas), edema perilesional significativo e um realce em anel irregular e espesso após a administração de contraste.
O glioblastoma é o tumor cerebral primário mais comum e agressivo em adultos, com pico de incidência em idosos. Sua rápida expansão e infiltração podem causar irritação cortical (levando a crises) e compressão de estruturas adjacentes (causando déficits focais como hemiparesia).
Os principais diagnósticos diferenciais incluem glioblastoma, metástases cerebrais, abscesso cerebral, e, menos comumente, infarto subagudo ou desmielinização atípica. A história clínica e outros achados de imagem ajudam na diferenciação.
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