HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2015
Sobre a farmacologia dos Glicocorticoides (GC), assinale a afirmativa CORRETA:
Glicocorticoides tópicos, especialmente potentes e em grandes áreas, podem causar supressão do eixo HHA.
Embora a via tópica seja geralmente associada a menos efeitos sistêmicos, a absorção percutânea de glicocorticoides potentes ou aplicados em grandes áreas da pele, por tempo prolongado, pode ser suficiente para causar supressão do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HHA), resultando em insuficiência adrenal secundária.
Os glicocorticoides (GC) são fármacos amplamente utilizados em diversas especialidades médicas devido às suas potentes ações anti-inflamatórias e imunossupressoras. Sua farmacologia é complexa, envolvendo diferentes potências, durações de ação e graus de atividade mineralocorticoide. Um dos efeitos adversos mais importantes e clinicamente relevantes é a supressão do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HHA), que pode levar à insuficiência adrenal secundária se o tratamento for interrompido abruptamente. Tradicionalmente, a supressão do eixo HHA é mais associada ao uso sistêmico de glicocorticoides (oral ou parenteral). No entanto, é crucial reconhecer que a aplicação tópica de GC também pode induzir esse efeito. A absorção percutânea de glicocorticoides, especialmente os de alta potência, quando aplicados em grandes áreas da pele, em pele lesada ou sob oclusão, pode ser significativa o suficiente para atingir concentrações sistêmicas que suprimem a produção endógena de cortisol. A compreensão desse risco é vital para residentes, pois a supressão do eixo HHA pode passar despercebida até que o paciente seja submetido a uma situação de estresse (infecção, cirurgia) e desenvolva uma crise adrenal, uma emergência médica com risco de vida. Portanto, a prescrição de GC tópicos deve ser feita com cautela, considerando a potência do fármaco, a extensão da área a ser tratada, a duração do uso e a idade do paciente, e sempre orientando sobre a descontinuação gradual quando o uso for prolongado.
O risco aumenta com a potência do glicocorticoide, a área de superfície corporal tratada, a duração do tratamento, a oclusão da área (curativos), a integridade da barreira cutânea (pele lesada) e a idade do paciente (crianças têm maior absorção).
Os sintomas podem ser inespecíficos e incluem fadiga, fraqueza, náuseas, vômitos, dor abdominal, hipotensão e hipoglicemia. Em situações de estresse (cirurgia, infecção), pode ocorrer uma crise adrenal, com risco de vida.
A prevenção envolve o uso da menor potência e duração eficazes, evitando grandes áreas e oclusão desnecessária. O monitoramento pode incluir a dosagem de cortisol sérico matinal ou o teste de estimulação com ACTH, especialmente em casos de uso prolongado ou de alto risco.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo