CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2018
Paciente de 32 anos refere dor e baixa acuidade visual após uso de certa medicação. Ao exame oftalmológico apresenta refração de -4,50 DE OD e -4,00 DE no OE (era emétrope), PIO de 32mmHg em ambos os olhos, e os seguintes achados: Qual provável medicação desencadeou o processo?
Sulfa/Topiramato → efusão ciliar → anteriorização do diafragma íris-cristalino → miopização + glaucoma.
O uso de derivados de sulfa (como topiramato) pode induzir efusão uveal e edema do corpo ciliar, resultando em miopização aguda por relaxamento da zônula e fechamento angular secundário.
O glaucoma secundário de ângulo fechado induzido por drogas sistêmicas é uma emergência oftalmológica que exige anamnese farmacológica detalhada. O topiramato, uma sulfa-derivada usada para enxaqueca e epilepsia, é o agente mais comum. A fisiopatologia envolve uma reação idiossincrática que gera efusão no espaço supraciliar. Clinicamente, o paciente evolui com dor ocular, visão turva e uma miopia súbita (frequentemente > 3-4 dioptrias). Ao exame, a câmara anterior está rasa de forma uniforme. O reconhecimento precoce evita intervenções desnecessárias como a iridotomia periférica e previne danos permanentes ao nervo óptico.
O mecanismo principal é o edema do corpo ciliar (efusão ciliar). Esse edema causa o relaxamento das fibras zonulares, permitindo que o cristalino aumente sua espessura e se desloque anteriormente. Além disso, o deslocamento anterior de todo o diafragma íris-cristalino reduz a profundidade da câmara anterior, levando ao fechamento do ângulo iridocorneano e consequente aumento da pressão intraocular (PIO).
Diferente do glaucoma primário de ângulo fechado, o quadro induzido por sulfa geralmente é bilateral, apresenta miopização aguda significativa (vários graus de dioptria) e não ocorre por bloqueio pupilar. Na ultrassonografia biomicroscópica (UBM), observa-se efusão supraciliar e ausência de abaulamento da íris (íris bombê), que é típico do bloqueio pupilar primário.
A conduta imediata inclui a suspensão da droga causal. O controle da PIO é feito com hipotensores oculares tópicos (exceto mióticos) e sistêmicos (acetazolamida). O uso de cicloplégicos (como atropina) é fundamental, pois eles ajudam a recuar o corpo ciliar e o diafragma íris-cristalino. Corticoides tópicos podem ser usados para reduzir a inflamação/efusão. Iridotomia a laser não tem eficácia, pois não há bloqueio pupilar.
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