CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2019
Em relação aos corticosteróides tópicos oculares, assinale a alternativa que coloca em ordem decrescente o potencial de aumento de pressão intraocular:
Potencial hipertensivo: Dexametasona 0,1% > Prednisolona 1% > Fluormetolona 0,1%.
Corticosteroides de alta potência e maior penetração ocular, como a dexametasona, apresentam maior risco de elevar a pressão intraocular em comparação aos esteroides 'soft'.
O manejo da inflamação ocular com corticoides exige um equilíbrio entre eficácia terapêutica e segurança. A Dexametasona e a Prednisolona são os pilares no tratamento de uveítes e inflamações pós-operatórias graves devido à sua alta potência. No entanto, o monitoramento da PIO é obrigatório em qualquer tratamento que dure mais de uma semana. Em casos de inflamações superficiais ou quando o paciente já demonstrou aumento da PIO, opta-se por drogas com menor potencial hipertensivo, como a Fluormetolona, o Loteprednol ou a Rimexolona. É importante lembrar que o aumento da PIO induzido por corticoide é geralmente reversível após a suspensão da droga, mas o dano ao nervo óptico ocorrido durante o período de hipertensão é permanente.
Os corticosteroides aumentam a pressão intraocular (PIO) ao reduzir a facilidade de escoamento do humor aquoso através da malha trabecular. Eles induzem alterações na matriz extracelular do trabeculado, como o acúmulo de glicosaminoglicanos e a inibição de proteases, além de causarem alterações morfológicas nas células trabeculares. Isso leva a uma maior resistência à drenagem, resultando em hipertensão ocular em indivíduos suscetíveis (chamados de 'respondedores a corticoides').
A Dexametasona 0,1% é um corticoide potente com alta penetração intraocular, sendo um dos principais responsáveis pelo aumento da PIO. Já a Fluormetolona 0,1% é considerada um 'soft steroid'. Ela é rapidamente metabolizada após penetrar na córnea e possui uma estrutura química que reduz sua afinidade pelos receptores que causam o aumento da resistência trabecular, tornando-a uma opção mais segura para pacientes que precisam de uso prolongado ou que são respondedores conhecidos.
Cerca de 5% a 10% da população geral apresenta um aumento significativo da PIO (>10 mmHg) após o uso de corticoides tópicos por algumas semanas. No entanto, esse número sobe para quase 90% em pacientes com Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA). Outros fatores de risco incluem histórico familiar de glaucoma, alta miopia, diabetes mellitus e crianças pequenas.
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