CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2012
Qual das características listadas é mais provável na doença sugerida na foto abaixo? (Paciente com glaucoma e quadro de inflamação recorrente no OE)
Glaucoma + Uveíte recorrente → Avaliar tipo de precipitados ceráticos (PKs).
Quadros de glaucoma associados a inflamação ocular recorrente exigem a diferenciação entre uveítes granulomatosas e não granulomatosas através da análise dos precipitados ceráticos no endotélio corneano.
O desafio do glaucoma inflamatório reside na sua natureza recorrente e na toxicidade potencial dos tratamentos (como o glaucoma induzido por corticoides). A observação cuidadosa na lâmpada de fenda em busca de precipitados ceráticos, células na câmara anterior e sinéquias é o primeiro passo para o diagnóstico. Síndromes como a Ciclite Heterocrômica de Fuchs e a Crise Glaucomatociclítica (Posner-Schlossman) devem sempre estar no radar do oftalmologista diante de um paciente com glaucoma unilateral e sinais inflamatórios sutis.
Precipitados ceráticos (PKs) granulomatosos são depósitos de células inflamatórias grandes, amarelados e com aspecto de 'gordura de carneiro' (mutton-fat) localizados no endotélio da córnea. Eles são compostos principalmente por macrófagos e células epitelioides. Sua presença indica uma inflamação crônica e persistente, sendo característicos de doenças como sarcoidose, tuberculose, sífilis ou uveíte por toxoplasmose, diferenciando-se dos PKs finos das uveítes não granulomatosas.
A inflamação ocular pode elevar a pressão intraocular (PIO) por vários mecanismos: obstrução da malha trabecular por células inflamatórias e debris (trabeculite), edema do trabéculo, ou aumento da viscosidade do humor aquoso. Em quadros crônicos, podem ocorrer sinéquias periféricas anteriores que fecham o ângulo. Algumas síndromes, como a de Posner-Schlossman, apresentam picos de PIO desproporcionais à leve inflamação observada.
Identificar a causa da inflamação é vital porque o tratamento do glaucoma secundário à uveíte difere do glaucoma primário. Além dos hipotensores oculares, pode ser necessário o uso de corticosteroides tópicos para controlar a inflamação ou antivirais/antibióticos se houver uma causa infecciosa subjacente (como Herpes ou Toxoplasmose). O diagnóstico incorreto pode levar ao uso inadequado de medicações ou à progressão do dano ao nervo óptico.
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